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Trump acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso

Após quase três meses de inquéritos no processo de destituição, a liderança do Partido Democrata acusou Trump de abuso de poder e obstrução do Congresso. Na próxima semana, deverá ser feita a votação final. O julgamento no Senado deverá ocorrer em janeiro.

Esta terça-feira, o processo de destituição de Trump chegou a uma fase fulcral, quando as acusações formais que serão feitas na Câmara dos Representantes do Congresso foram anunciadas. Seguirão para debate e votação na Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, provavelmente ainda esta semana. Na próxima semana, os 435 membros da Câmara dos Representantes terão de dizer se concordam com as acusações anunciadas. Só depois o processo poderá seguir para a fase do julgamento final, no Senado, ainda durante o mês de janeiro.

Em 230 anos de história, Trump será o terceiro presidente a ser impugnado, após Andrew Johnson (1868) e Bill Clinton (1998). Contudo, isto não significa destituição, já que o Partido Republicano está em maioria no Senado (53 contra 47) e a destituição só é possível com uma maioria de dois terços (67/100 senadores). É de lembrar ainda que nenhum dos presidentes impugnados foi destituído.

Os líderes das seis comissões envolvidas na investigação reuniram-se numa conferência de imprensa e informaram que Trump foi acusado de abuso de poder e de obstrução das investigações do Congresso: “Em cumprimento do nosso dever perante a Constituição, acusamos o Presidente Donald J. Trump de altos crimes e delitos”, afirmou o líder da Comissão de Justiça, Jerrold Nadler.

Trump fora acusado de pressionar Volodimir Zelenskii, presidente ucraniano, de forma a que este interferisse em seu favor nas eleições presidenciais de 2020. Os quase três meses de audições serviram para que a liderança do Partido Democrata concluísse que o atual presidente norte-americano chantageou a Ucrânia para benefício pessoal: se Zelenskii não anunciasse a abertura de investigações criminais que prejudicariam Joe Biden, um dos possíveis adversários de Trump, a Casa Branca não desbloquearia o envio de 391 milhões de dólares em ajuda militar para a Ucrânia. Quando este plano foi descoberto, Trump ordenou que a Casa Branca não colaborasse com as investigações da Câmara dos Representantes e proibiu que qualquer possível testemunha com ligações ao Governo norte-americano comparecesse nas audições lideradas pelo Partido Democrata.

Trump, entretanto, já reagiu no Twitter sem apresentar argumentos ou algo conclusivo. Simplesmente afirmou que a acusação era uma “pura loucura política” e aproveitou o tweet para um auto-elogio, afirmando ser um dos presidentes “mais bem-sucedidos de sempre”.

Ainda não é claro se o processo incluirá também uma acusação de obstrução da Justiça, em referência ao caso da interferência da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos. Robert Mueller, responsável pelas investigações desse processo, detalhou num relatório dez casos de possível obstrução da Justiça por parte de Trump. Contudo, os congressistas do Partido Democrata não querem misturar os dois casos.

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