Tribunal de Londres autoriza extradição de Assange para os EUA

10 de December 2021 - 17:42

Julian Assange arrisca uma pena de 175 anos de prisão. A sua companheira e advogada Stella Moris vai recorrer da decisão e pergunta como pode ser justo extraditar o fundador da Wikileaks para “o país que conspirou para o matar”.

PARTILHAR
Stella Moris, advogada e companheira de Assange, falando para a comunicação social junto ao tribunal em Londres – Foto de Andy Rain/EPA/Lusa
Stella Moris, advogada e companheira de Assange, falando para a comunicação social junto ao tribunal em Londres – Foto de Andy Rain/EPA/Lusa

O Tribunal Superior de Londres decidiu que as declarações das autoridades dos Estados Unidos são suficientes para garantir que Julian Assange, se for extraditado, será tratado com humanidade.

Segundo as notícias, as autoridades dos Estados Unidos poderão ter-se comprometido a não prender Assange numa instituição de máxima segurança e que, caso Assange seja condenado, poderão permitir que ele possa cumprir na Austrália parte ou a totalidade da sentença.

O fundador da Wikileaks, que tem atualmente 50 anos, está detido na prisão de segurança de Belmarsh em Londres e pode ser extraditado para os EUA para ser julgado por espionagem, arriscando ser condenado a uma pena de 175 anos de prisão. Será uma tal pena um tratamento com humanidade? O advogado dos Estados Unidos, James Lewis, diz, no entanto, que pelo pretenso crime de que Assange é acusado, “a pena mais longa antes imposta” foi de “63 meses".

O Tribunal Superior de Londres revogou uma decisão de primeira instância, que tinha negado extradição por motivos de saúde do fundador da Wikileaks. Julian Assange e os seus advogados vão certamente recorrer da sentença. A decisão final caberá à ministra do Interior, Priti Patel, que supervisiona a aplicação da lei no Reino Unido.

Stella Moris, companheira e advogada do fundador da Wikileaks, declarou esta sexta-feira à comunicação social: “Como pode ser justo, como pode ser certo, como pode ser possível, extraditar Julian para o próprio país que conspirou para o matar?”.

Rebecca Vincent, diretora de campanhas internacionais da Repórteres Sem Fronteira e diretora do escritório da organização em Londres, escreveu: "Este é um desenvolvimento totalmente vergonhoso que tem implicações alarmantes não apenas para a saúde mental de Assange, mas também para o jornalismo e para a liberdade de imprensa em todo o mundo”.