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Três mil detidos na noite em que Lukashenko anunciou sexto mandato na Bielorrússia

A oposição não reconhece a vitória da Lukashenko, no poder há 26 anos. Milhares de manifestantes sairam à rua em todo o país, tendo a polícia reagido com balas de borracha e gás lacrimogéneo. UE defende contagem "precisa" dos votos.
Manifestantes esta madrugada em Minsk, Bielorrússia.
Manifestantes esta madrugada em Minsk, Bielorrússia. Fotografia de Stringer/EPA/Lusa.

A notícia da reeleição de Alexander Lukashenko deu origem a manifestações, à detenção de cerca de três mil pessoas e a pelo menos um morto. De acordo com a agência de notícias estatal Belta e a Comissão Eleitoral bielorrussa, Lukashenko venceu as eleições presidenciais com 80,23% dos votos. No poder desde 1994, Lukashenko avança assim para o seu sexto mandato sob acusações de fraude eleitoral e com enorme contestação e violências nas ruas.

Svetlana Tikhanovskaia, a principal opositora, terá obtido 9,9% dos votos. Tikhanovskaia viu criar-se à sua volta uma mobilização sem precedentes nesta campanha eleitora. Desde que Lukashenko chegou ao poder, há 26 anos, que nenhuma corrente da oposição conseguiu afirmar-se na paisagem política bielorrussa. Desde então, vários dirigentes políticos foram detidos e em 2019 conseguiu-se a proeza de não eleger um único opositor para o parlamento do país.

Em declarações à imprensa após a divulgação dos resultados, Tikhanovskaia afirmou não aceitar os resultados oficiais, dizendo ainda que acredita “no que veem os meus olhos e vejo que a maioria está connosco”.

"O poder deve refletir como pode ceder-nos o poder. Considero-me vencedora das eleições", denunciando a repressão das manifestações contra a reeleição do Presidente.

Já Lukashenko afirma que quaisquer informações sobre repressões são “fake news” e que a sua opositora “não é digna de qualquer tipo de repressão”.

Numa declaração pública feita esta manhã, a União Europeia defendeu a contagem "precisa" dos votos nas eleições presidenciais, condenando a “violência estatal desproporcional e inaceitável” e exigiu a libertação imediata dos manifestantes detidos.

“Após uma mobilização sem precedentes para eleições livres e democráticas, o povo da Bielorrússia espera agora que os seus votos sejam contados de forma precisa”, lia-se no comunicado.

Três mil detidos esta madrugada

No próprio dia das eleições registaram-se manifestações em várias cidades contra a vitória anunciada de Lukashenko. Na capital do país, Minsk, a polícia recorreu a granadas sonoras, balas de borracha e canhões de água para dispersar os manifestantes e, segundo várias fontes, no próprio dia registaram-se vários feridos.

Porém, isso não demoveu os protestos que se intensificaram esta madrugada. De acordo com o próprio governo bielorrusso, foram detidos cerca de três mil “manifestantes antigovernamentais”, cita a agência Lusa.

"No total, em todo o país, cerca de três mil pessoas foram presas (...) durante confrontos. Mais de 50 cidadãos e 39 polícias ficaram feridos e alguns estão hospitalizados", declarou o ministério em comunicado, frisando que as manifestações "noturnas" não estavam autorizadas.

Segundo alguns relatos no local citados pelo jornal Guardian, uma carrinha da polícia terá atropelado alguns manifestantes em Minsk, mas as autoridades locais afirmam que não têm qualquer registo de ferimentos do género. 

Porém, em algumas cidades mais pequenas há relatos de que a polícia anti motim terá recusado avançar sobre os manifestantes que contestavam o resultado das eleições.

Há acusações de repressão mesmo durante a campanha, com grupos de defesa dos direitos humanos a denunciar a detenção de mais de 1.300 pessoas nos dias que antecederam as eleições. Entre os detidos estarão elementos da campanha de Tikhanouskaya e observadores independentes. 

No dia de encerramento da campanha, o atual presidente tentou impedir o comício final da oposição marcando eventos oficiais para todos os locais onde podia acontecer. E embora Tikhanovskaia tenha, de facto, cancelado o evento, milhares de pessoas aproveitaram um concerto para expressar críticas ao regime.

Os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) não reconheceram como justos os resultados das últimas quatro eleições presidenciais. Para a organização, existiram fraudes no processo eleitoral e pressões várias sobre a oposição.

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