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Tráfego marítimo de mercadorias ainda está longe da normalidade

Na sequência da pandemia, os preços dos contentores subiram e muito. O seu transporte está a ser irregular e toda a economia é afetada.
Navio com contentores. Foto de National Ocean Service/Flickr.
Navio com contentores. Foto de National Ocean Service/Flickr.

A carga pode até estar pronta, o problema está a ser metê-la nos contentores. A pandemia perturbou a distribuição de mercadorias em todo o mundo. No setor do transporte marítimo, os preços subiram muito e os prazos de entrega tornaram-se irregulares. Uma crise que se espalha inevitavelmente para outros setores da economia.

Um dos padrões do setor é o Índice Mundial de Contentores. Segundo este, num ano o transporte de um contentor de 67 metros cúbicos pela rota Xangai-Roterdão passou a custar mais de 11.600 euros. O que equivale a uma subida de 659% relativamente a agosto do ano passado. Noutras rotas os aumentos rondam os 360%, indica a TSF. O presidente da Associação Portuguesa de Transitários disse à rádio que estes números são até “simpáticos” porque haverá até aumentos de 2.000%.

O problema é de toda a cadeia de abastecimento, mas começa logo em vários importantes portos chineses fechados devido a infeções com Covid-19. Isto faz com que em várias fábricas estejam a faltar componentes. Por exemplo, a Toyota anunciou a diminuição em 40% da produção e a suspensão da laboração em 14 fábricas no Japão. Os navios disponíveis estão cheios e o espaço neles está a ser regateado, aumentando as taxas de frete.

A expetativa de normalização do tráfego estava apontada para este verão, mas agora fala-se no primeiro trimestre de 2022 ou mais tarde. Belmar da Costa, diretor executivo da Agepor, que representa os agentes de navegação no país, diz ao Público que para a situação se “começar a equilibrar”, “ainda vai demorar muitos meses, nunca menos de um ano”.

O mesmo responsável, contudo, relativiza os efeitos da crise na subida de preços: “este aumento de custos não chega de uma forma insuportável ao preço final dos produtos”. Os números parecem impressionantes mas “ao dividir esse aumento por vinte toneladas, percebe-se que cada quilo do produto transportado não tem um acréscimo por aí além. É um aumento suportável. Não estamos a assistir a uma onda inflacionista insuportável, porque havia margem para os acomodar”.

Para Nabo Martins, presidente da APAT, a Associação de Transitários em Portugal, em declarações ao mesmo jornal, os efeitos do que está a acontecer podem ser duradouros e os preços só vir a baixar em 2025, quando os operadores terão de negociar com a Comissão Europeia as autorizações de transporte para a Europa. E denuncia que os operadores de shipping estão a ter lucros recorde, aproveitando a situação.

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