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“Trabalho das mulheres é ocultado no espaço público”

Em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, Catarina Martins e Mariana Mortágua defenderam que não existe uma forma feminina de exercer o poder e que o problema está na subrepresentação das mulheres na política. Veja aqui a entrevista.
Catarina Martins e Mariana Mortágua entrevistadas por Judite de Sousa no dia 8 de março.
 
(1ª Parte) Catarina Martins e Mariana Mortágua na ...

(1ª Parte) A política no femininoCatarina Martins e Mariana Mortágua na TVI

Publicado por Esquerda Net em Terça-feira, 8 de Março de 2016

 

O Jornal das 8 da TVI assinalou o 8 de Março com uma entrevista sobre "a política no feminino", em que Judite de Sousa procurou saber o que distingue as mulheres no exercício do poder. “Mais do que uma forma feminina de liderar, temos tido uma grande desigualdade entre o número de homens e mulheres com essa responsabilidade”, respondeu Catarina Martins, acrescentando que “o problema não está em ser uma forma feminina de poder ou não, está na subrepresentação que as mulheres tiveram na política”.

Como exemplo dessa desigualdade, a porta-voz do Bloco apontou o tratamento mediático das notícias sobre mulheres: “Hoje a TVI faz um dia especial e põe as mulheres como protagonistas. Mas em Portugal só uma em cada quatro notícias é feita por ou sobre mulheres. Ou seja, ocultamos sistematicamente o trabalho das mulheres, o seu peso e a sua reflexão no espaço público”.

“A presença de mulheres e de homens na política é uma questão de democracia. Depois, a pluralidade das visões políticas, essa, é conforme o campo ideológico”, defendeu Catarina.

Questionada sobre se as mulheres revelam mais sensibilidade social na política do que os homens, a porta-voz do Bloco reconheceu que essa ideia assenta no facto da decisão estar fechada num grupo restrito de homens, o que “tem feito com que determinados temas com que as mulheres têm mais contacto – até por questões próprias da desigualdade de género – não tenham sido tão abordados”. Por exemplo, as questões ligadas ao trabalho doméstico: “Como o trabalho doméstico tem estado mal distribuído, as mulheres percebem mais o seu peso, como o da dependência familiar ou do apoio a crianças e idosos”.

Também por isso, “é bom saber que neste Orçamento do Estado há mais abono de família e há mais Complemento Solidário para Idosos”, concluiu.

Mariana Mortágua: “As mulheres têm de provar duas vezes para que o seu mérito seja reconhecido”

Mariana Mortágua também sublinhou a ideia de que “a austeridade afetou particularmente as mulheres: “Com os ataques aos serviços públicos, creches, hospitais, lares de idosos e apoio à família, são as mulheres que sofrem em primeiro lugar porque ainda são elas que têm um papel preponderante nas áreas sociais”, afirmou.

Mariana Mortágua falou também da forma como as mulheres têm lutado para conquistar o espaço público. “As mulheres têm de provar duas vezes para que o seu mérito seja reconhecido. Isso pode ter acontecido na comissão de inquérito ao BES e na política acontece todos os dias”.

“Qualquer mulher no parlamento já percebeu que tem de trabalhar o dobro para conseguir ter protagonismo”, acusou a deputada, entendendo que “faz parte do preconceito a sociedade dar o espaço de intervenção pública ao homem. Felizmente há a lei da paridade, mas se formos ver as lideranças dos partidos e dos grupos parlamentares, o número de mulheres é muito inferior ao dos homens”. Para Mariana Mortágua esse preconceito deve ser combatido “tendo cada vez mais mulheres na via política”.

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