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Trabalhadores vigiam a porta da Camipão para não desaparecer material

A panificadora de Vila Praia de Âncora encerrou atividade a 24 de março e recusou dar documentos para subsídio de desemprego. Trabalhadores procuram impedir que materiais sejam vendidos. Bloco diz que isto revela “crueldade” e “desprezo”.
Trabalhadores da Camipão. Fonte: CGTP.
Trabalhadores da Camipão. Fonte: CGTP.

Vinte e quatro horas por dia, os trabalhadores da empresa de panificação Camipão tentam evitar que os patrões retirem as máquinas do local. Dois a dois, e no interior dos seus carros, vigiam por turnos a entrada das instalações de forma a que não desapareça mais material.

Segundo o Jornal de Notícias, estas medidas foram tomadas depois dos trabalhadores terem descoberto que já tinham sido retirados material e máquinas da empresa. A este meio de comunicação social, José Luís Lima explica: “a nossa intenção é ligar à GNR caso apareçam lá”, “estamos com receio que levem tudo o que está lá dentro”.

A vigilância dos trabalhadores vem na sequência do anúncio oral do passado dia 24 de março no qual a administração informou que a atividade iria parar. Depois disso, nada mais foi comunicado aos trabalhadores. Sabe-se apenas que, no próximo sábado, haverá uma assembleia de acionistas.

A Camipão tem o seu centro na fábrica de Vila Praia de Âncora mas tinha um total de 11 lojas em Caminha e Vila Nova de Cerveira. Os seus 65 trabalhadores pediram a insolvência da empresa, chamaram a Autoridade para as Condições do Trabalho a intervir e suspenderam contratos de trabalho para terem acesso ao subsídio de desemprego.

As dificuldades destes trabalhadores, porém, não começaram no dia 24. Ainda de acordo com o seu porta-voz, José Luís Lima, as dívidas da empresa aos funcionários elevam-se a mais de 200 mil euros, tendo ficado por pagar os subsídios de férias e de natal de 2019, para muitos também o subsídio de natal de 2018. Este ano, apenas foi pago metade do mês de janeiro.

Vivem-se assim situações “muito complicadas” como, por exemplo “ordens de despejo e avisos de corte de luz e água”. Seis das famílias afetadas estão a ser apoiadas pelas juntas de freguesia em “pagamentos de renda, água, luz e bens alimentares e de higiene pessoal”.

Encerramento da Camipão revela “crueldade” e “desprezo”

Depois de ter tido conhecimento da situação, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda tinha já questionado a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O partido salienta que, apesar das dificuldades atravessadas pela empresa, nada fazia prever o encerramento súbito. Até porque, “segundo informações numa recente reunião de acionistas realizada a 11 de março foi transmitido que a situação era estável e para ninguém se preocupar”.

Para além de ter fechado a empresa de um dia para o outro, as informações obtidas pelo Bloco vão no sentido da administração se ter recusado a passar a declaração de situação de desemprego aos trabalhadores, “colocando assim em causa a sobrevivência destes e das suas famílias”.

No texto, assinado pelo deputado José Soeiro, considera-se que “este tipo de prática por parte da administração desta empresa revela uma crueldade para com os trabalhadores e desprezo para com os direitos laborais que é inaceitável numa sociedade do século XXI”.

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