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Trabalhadores reclamam intervenção do Governo contra “crime económico e social” na Saint-Gobain

Cerca de uma centena de trabalhadores da Saint-Gobain manifestaram-se este sábado, em Lisboa, contra o despedimento coletivo de 130 pessoas. Lamentando que António Costa não os tenha recebido, deixaram uma conclusão: “Este Governo fala, mas quando é hora de aparecer não está presente”.
Foto de Miguel A. Lopes, Lusa.

A concentração estava marcada para as 10h30 no Largo de Santos, em Lisboa, a que se seguiu uma manifestação até à residência oficial do primeiro-ministro.

Palavras de ordem como “Costa, escuta, os vidreiros estão em luta” parecem não ter surtido efeito, já que o primeiro-ministro não esteve disponível para receber os trabalhadores.

“Não fomos recebidos por quem pedimos a audiência, que era o primeiro-ministro [António Costa]. Não fomos recebidos sequer por um assessor ou um chefe de gabinete. Concluímos que este Governo fala, mas quando é hora de aparecer não está presente”, lamentou a coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM), Fátima Messias, em declarações à agência Lusa.

De acordo com a dirigente sindical, os trabalhadores “não deixarão de registar esta atitude”, e avançarão com novas formas de luta para defender a empresa e os postos de trabalho.

Os trabalhadores aguardam resposta sobre a manutenção dos seus postos de trabalho há mais de um mês e têm-se concentrado diariamente junto à fábrica de Santa Iria. Promoveram ainda iniciativas em frente aos ministérios do Trabalho e da Economia.

Na segunda-feira, a FEVICCOM terá uma reunião, no Ministério do Trabalho, com os secretários de Estado do Emprego e Adjunto do ministro da Economia para discutir esta situação.

“Vamos estar reunidos com os secretários de Estado face à luta e à pressão que os trabalhadores fizeram nas últimas deslocações a Lisboa. Da parte do principal responsável do Governo, não houve essa atenção, nem sequer essa consideração por esta justa luta. A reunião com o primeiro-ministro está pedida desde 25 de agosto”, assinalou Fátima Messias.

Perante a intransigência da empresa no sentido de encerrar a atividade produtiva em Santa Iria, os trabalhadores pedem a intervenção do executivo socialista.

“A empresa, nesta última reunião, apresentou uma lista com algumas possibilidades de recolocação de emprego para um conjunto de trabalhadores, mas o que os trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit Portugal querem é a manutenção de todos os postos de trabalho e o retomar, o quanto antes, da atividade na unidade de Santa Iria”, afirmou Pedro Milheiro, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV).

O também membro da comissão de trabalhadores (CT) da Saint-Gobain Sekurit Portugal referiu que “está aqui em causa uma decisão estratégica e política da multinacional francesa para deslocalizar a produção feita em Portugal para outras unidades em outro país”.

“É contra este crime económico e social que estão a levar a cabo que estamos em protesto há mais de um mês”, vincou, lembrando que os trabalhadores reclamam “uma intervenção urgente e séria, por parte do Governo, na defesa dos interesses nacionais”.

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