O fim do mês de agosto marca o prazo de encerramento de mais 23 agências da Caixa Geral de Depósitos. A Comissão de Trabalhadores da empresa não se conforma e quer que o governo intervenha para reverter ainda a decisão.
Em comunicado divulgado esta sexta-feira, a CT da CGD defende “a reversão desta decisão”, apelando ao Governo para que intervenha porque “detém o poder e o dever para o fazer, considerando ser a CGD um Banco 100% capitais públicos”. E critica a Comissão Executiva da empresa por cometer um “ato de gestão desprovido de sentido para a sustentabilidade da Caixa pública, pondo em causa a missão de garantir o serviço público bancário a que está obrigada”.
A organização dos trabalhadores diz que sendo a Caixa “um banco público com missão específica de cumprimento do serviço público bancário” tem “uma enorme responsabilidade perante as populações”. O que a administração tem feito mostra o seu “abandono” e “a completa privação destas no acesso ao serviço bancário presencial e de proximidade como sempre foi apanágio da CGD”.
A CT está “solidária com as manifestações flagrantes de desagrado das populações e de movimentos cívicos, bem como do poder local” que considera serem “prova cabal que clientes e entidades institucionais não aceitam a decisão dos encerramentos e que esta medida está a provocar também um grave prejuízo à notoriedade e imagem da CGD”.
A estrutura representativa dos trabalhadores fala ainda em “ilegalidade” porque a decisão deste novo encerramento só lhe foi comunicada no passado dia 08 de agosto, violando o estabelecido no artigo 427º nº. 4 do Código do Trabalho (Lei 7/2009), “que impõe o procedimento da solicitação de consulta prévia obrigatória à CT sobre esta matéria”. Pela “sonegação de informação relevante” e “para permitir, de forma completa e fundamentada, o exercício de um parecer que a lei determina ser um direito inalienável das comissões de trabalhadores” foi pedida a intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho.
Os trabalhadores alegam ainda ser “inaceitável” o fecho de agências quando o banco público “anunciou lucros de 486 milhões no primeiro semestre de 2022”, afirmando que decisões como esta podem “colocar em causa, no médio prazo, o futuro e sustentabilidade da CGD”.
Para além disso, é preciso equacionar o impacto dos encerramentos nas outras agências “que não veem o quadro de pessoal, já por si deficitário, aumentado na mesma proporcionalidade” e sofrem “um acréscimo de volume de trabalho para todos os trabalhadores, que já se encontram neste momento sujeitos a uma enorme sobrecarga de trabalho em agências integradoras com um enorme fluxo de clientes, com longos períodos de espera no atendimento, algumas com espaço físico limitado onde esta sobrecarga irá aumentar os problemas estruturais existentes e diminuir a qualidade do serviço bancário”.
Há que ainda ter em conta as “repercussões na vida pessoal e profissional de imensos trabalhadores que são transferidos e recolocados em outros Órgãos de Estrutura”.