Trabalhadores do SEF em greve para denunciar "situação caótica" no serviço

28 de March 2018 - 18:04

Os trabalhadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras iniciaram na terça-feira uma greve de três dias. Bloco apoia a paralisação, defendendo que “é preciso trazer dignidade aos trabalhadores, dotando este serviço de meios humanos e jurídicos para a sua função”.

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"O SEF deprime-se e torna-se dia-a-dia cada vez mais ineficaz, as demoras agravam-se, as respostas não chegam, os utentes desesperam", refere o Sindicato dos Funcionários do SEF, que reivindica o reconhecimento das carreiras dos funcionários não policiais.

Segundo a presidente desta estrutura sindical, Manuela Niza, os trabalhadores estão a lutar há muito tempo por uma carreira digna, que tem sido protelada “pelas tutelas e pelas direções nacionais”.

A carreira não policial tem perto de 600 funcionários que trabalham no serviço documental, que inclui a emissão de passaportes, autorizações de residência e vistos ‘gold’, de um total de 1.200 funcionários do SEF.

Adesão ronda os 70% no segundo dia de greve

O Sindicato anunciou que, às 10h desta quarta-feira, a adesão à paralisação rondava os 70%, encontrando-se quase todos os postos de atendimento encerrados.

“Tal como ontem, o posto da Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, está a ser assegurado por trabalhadores precários”, denunciou Manuela Niza, em declarações à agência Lusa.

A dirigente sindical adiantou também que o protesto terá consequências mesmo após o seu término, nomeadamente “ao nível do atendimento, marcações e decisões”.

Manuela Niza informou ainda que o sindicato vai reunir-se no dia 3 de abril com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

“Uma greve pela defesa das suas legítimas reivindicações”

De acordo com o deputado bloquista José Manuel Pureza, está em causa uma greve pela defesa das “legítimas reivindicações” dos trabalhadores do SEF.

Em declarações ao Esquerda.net, o dirigente do Bloco defendeu que é “urgente que se olhe para o SEF como um serviço documental, uma estrutura civil de acompanhamento da admissão de imigrantes, e não como uma polícia de imigração”.

“Para tal, é preciso trazer dignidade aos trabalhadores e trabalhadoras do SEF, dotando este serviço de meios humanos e jurídicos para a sua função”, frisou.

José Manuel Pureza assinalou ainda que “com esta greve, os trabalhadores e trabalhadoras lutam por dignidade na sua vida concreta e alertam o Governo para a necessidade de uma intervenção urgente que permita que o SEF possa cumprir a sua missão de forma plena”.