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Trabalhadores da SousaCamp protestam contra despedimento de 90 trabalhadores

O plano de insolvência da Sousacamp prevê o despedimento de 90 trabalhadores. Os trabalhadores concentram-se esta quinta-feira à porta da assembleia de credores onde José Soeiro declarou: “se há encomendas, se há trabalho, se o Estado faz parte dos credores, mantenham-se empregos e respeite-se estas mulheres de trabalho.”
Trabalhadoras da Sousacamp concentradas em Paredes contra despedimentos. Janeiro de 2020.
Trabalhadoras da Sousacamp concentradas em Paredes contra despedimentos. Janeiro de 2020. Foto: facebook de José Soeiro.

A Assembleia de Credores do grupo SousaCamp vai votar esta quinta-feira no Tribunal de Vila Flor o seu plano de insolvência. Há uma proposta para viabilizar a empresa de produção de cogumelos, que foi comprada em dezembro por uma gestora de capital de risco, a CoRe Equity. Mas nela está prevista a saída de 90 trabalhadores.

O administrador judicial, Bruno Costa, garantiu à Lusa que a “redução necessária ao quadro de pessoal” será feita dando “primazia absoluta a acordos de rescisão por mútuo acordo, assegurando-se o pagamento integral e imediato da totalidade dos créditos laborais que correspondam a cada colaborador”.

Só que os trabalhadores não ficam satisfeitos com estas garantias. Marcam por isso presença à porta da Assembleia de Credores. Querem, em primeiro lugar, fazer passar a mensagem da “absoluta necessidade do plano de recuperação garantir a manutenção integral dos postos de trabalho, tanto mais que assenta numa proposta de perdão de dívida que envolve dinheiro público”.

Em segundo lugar, acusam a administração de se imiscuir na definição do representante dos trabalhadores nesta Assembleia. Fizeram-no, segundo o SINTAB, Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação e Bebidas, recolhendo assinaturas que lhes permitiram definir este lugar. O sindicato esclarece tratar-se de uma “clara e grosseira ingerência da administração na autonomia de gestão das organizações representativas dos trabalhadores”.

Em terceiro lugar, o sindicato acusa os inspetores da ACT de “incentivar os trabalhadores para aceitar propostas de despedimento abusivas”. Na deslocação destes à unidade de Paredes, onde estão os setores de produção/colheita que mais serão afetados pelos despedimentos, terão até “interrogado a delegada sindical em frente à sua chefia, tecendo considerações negativas sobre a sua conduta e a conduta do sindicato, dando mesmo opinião relativa ao processo de despedimentos denunciado pelo sindicato e sugerindo, aos trabalhadores, a aceitação das propostas de rescisão que a empresa abusivamente coloca”.

Presente na concentração destes trabalhadores que começou logo pela manhã, José Soeiro, mostrou-se solidário declarando: “se há encomendas, se há trabalho, se o próprio Estado faz parte dos credores, mantenham-se estes empregos e respeite-se estas mulheres de trabalho.” O deputado bloquista denuncia como o processo está a decorrer na unidade de Paredes onde “50 trabalhadoras que foram chamadas para uma “rescisão amigável”, que é na verdade uma tentativa de fazer um despedimento coletivo”.

 

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