“Os trabalhadores estão cansados de tantas mentiras da atual administração” da construtora, que “deveria ter começado a cumprir o Processo Especial de Revitalização (PER) em outubro de 2018, mas não efetuou ainda o pagamento de nenhuma das prestações”, afirmou à agência Lusa o presidente do Sindicato da Construção.
“Como presidente do sindicato não defendo a insolvência, mas nesta situação, em que há trabalhadores com dez e mais meses de salários em atraso, é muito complicado”, afirmou Albano Ribeiro, acrescentando que “a partir de segunda-feira os trabalhadores vão começar a vir ao sindicato para o nosso advogado tratar do assunto”.
Contactada pela Lusa, a administração da Soares da Costa diz que há atrasos, mas que ainda em janeiro foram pagos “sete meses de salários a todos os trabalhadores” com a verba recebida após conflito judicial da Câmara Municipal de Braga, relativa às obras no Estádio Municipal.
Meio milhar de trabalhadores reclamam salários em atraso da Soares da Costa. Destes, 60 continuavam no ativo em outubro passado e 300 estavam em situação de inatividade, tendo os restantes suspendido ou rescindido os respetivos contratos de trabalho.
O atual PER em curso, o segundo apresentado pela construtora, prevê a redução da dimensão do perdão da dívida. Já para a dívida não garantida a instituições de crédito e a fornecedores, na ordem dos 607 milhões de euros, a empresa obteve um perdão de 50%, enquanto aos trabalhadores (cujos créditos rondam os 50,2 milhões de euros) o pagamento terá de ser integral.
No protesto que organizaram em outubro passado, os trabalhadores contaram com a solidariedade do Bloco de Esquerda. Catarina Martins afirmou ser “absolutamente vergonhoso e inaceitável” que uma empresa deixe os trabalhadores “dois anos sem salários, sem compensação, sem poderem recorrer ao subsídio de desemprego e sem poderem procurar outro trabalho”.