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Trabalhadores da saúde invadem Ministério

Cerca de trinta trabalhadores da saúde entraram sem aviso esta quinta-feira à tarde no Ministério da Saúde em protesto. A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais reclama respostas sobre o contrato coletivo dos assistentes operacionais e administrativos.
Foto de Paulete Matos

Os trabalhadores do Serviço Nacional da Saúde exigem respostas do Ministério da Saúde. Por isso, cerca de trinta manifestantes entraram na sede do organismo governamental para exigir resposta sobre a aplicação do contrato coletivo dos trabalhadores dos hospitais EPE (Entidade Pública Empresarial).

Sebastião Santana, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, explicou à Lusa ainda que sindicatos e hospitais alcançaram um acordo sobre contagem do tempo de serviço dos funcionários administrativos e técnicos superiores mas que o Ministério ainda não validou tal acordo.

O sindicato acrescenta uma outra situação particular em disputa: ficaram de fora da passagem a 35 horas de trabalho semanais os trabalhadores do Hospital de Braga que deixou de ser uma PPP e passou a ser uma EPE. Há por isso trabalhadores no Hospital de Braga a ganhar 519 euros por mês, muito abaixo “dos 635 de mínimo para a administração pública”.

Em sete anos, há menos dois mil assistentes operacionais no SNS

Também esta quinta-feira foi conhecido o “Relatório Social do Ministério da Saúde e do SNS” que mostra que o Serviço Nacional de Saúde perdeu dois mil assistentes operacionais entre 2011 e 2018. Os sindicatos dizem que isto aumenta a carga de trabalho dos contratados e que diminui a capacidade de prestação de serviços aos utentes.

Em 2011 havia 27 mil assistentes operacionais, em 2018 são apenas pouco mais de 25 mil. Os assistentes operacionais cumprem inúmeras tarefas, desde cuidar da higiene e transporte dos hospitalizados até à distribuição de alimentação.

Também os assistentes técnicos diminuíram no mesmo período de tempo. Segundo o “Relatório Social do Ministério da Saúde e do SNS”, há agora menos 1600 destes trabalhadores que asseguram secretariados clínicos ou são funcionários administrativos.

Pelo contrário o número de médicos e enfermeiros subiu. No ranking do tipo de funcionários do SNS, os enfermeiros ocupam o topo e os médicos ocupam agora o segundo lugar. Assistentes operacionais, que são os mais mal pagos, ganhando o salário mínimo, e que não têm uma carreira específica, ocupam apenas o terceiro lugar.

Os sindicatos consideram que esta situação implica “atrasos e faltas no cuidados” aos pacientes. Em declarações ao Público, o presidente do Sindicato Independente dos Técnicos Auxiliares de Saúde (SITAS), Paulo de Carvalho, assinala que, com a diminuição de trabalhadores, os cuidados diminuem e a carga de trabalho aumenta. Tanto que face à ausência de “valorização e reconhecimento profissional” e ao “ordenado miserável”, há uma debandada quase mensal… as pessoas não aguentam o ritmo e a dureza do trabalho”.

O sindicalista assegura que os trabalhadores estão “exaustos” porque são “cada vez mais solicitados e somos cada vez menos” contabilizando que faltariam 4500 assistentes operacionais para suprir as falhas existentes neste momento no Serviço Nacional de Saúde.

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