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Trabalhadores da saúde em greve esta sexta-feira

A paralisação não abrange médicos e enfermeiros, mas estes também estão mobilizados. Os médicos esperam uma reunião dia 13 e ameaçam com greve se o governo “não emendar a mão”. Os enfermeiros têm várias concentrações marcadas. Dia 7 estarão frente à ARS de Lisboa e farão greve.
Trabalhadores da Saúde. Foto de Paulete Matos.
Trabalhadores da Saúde. Foto de Paulete Matos.

Os trabalhadores do setor da Saúde vão fazer uma greve de 24 horas esta sexta-feira. Exigem abertura dos processos negociais, melhores condições de trabalho, dignificação e valorização profissional, justa contagem do tempo de serviço e a admissão de mais trabalhadores.

A greve, que não inclui médicos e enfermeiros, surge na sequência da falta de respostas do governo. Em abril, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais tinha reunido com a Ministra da Saúde que se tinha comprometido, segundo a direção sindical, a agendar para maio uma nova reunião. Esta “mais uma vez” não se concretizou. Um “esquecimento” que os trabalhadores não querem deixar passar para que não suceda nesta legislatura “o mesmo que aconteceu nas anteriores, muitas promessas e nenhuma ação para a resolução dos problemas e das suas reivindicações”.

Em conferência de imprensa, a coordenadora da FNSTFPS, Elisabete Gonçalves, sublinha que os trabalhadores estão há “muitos anos” a esperar a resolução dos seus problemas, que são também problemas de toda a gente porque a instabilidade que criam prejudica o Serviço Nacional de Saúde. Em causa estão questões como as lutas por uma carreira específica para os Auxiliares de Ação Médica que se arrasta há 14 anos, pela aplicação do Acordo Coletivo de Trabalho das carreiras gerais e pela realização de um ACT nas carreiras não revistas, pela contratação de trabalhadores “que supram as necessidades dos serviços e organismos”, pelo fim do trabalho precário, pela abertura de procedimentos concursais de promoção e de integração e pela correta contagem dos pontos aos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica.

Médicos esperam reunião mas ameaçam greve

Os médicos não farão greve esta sexta-feira mas tal não quer dizer que estejam satisfeitos. A Federação Nacional dos Médicos diz que vai esperar pela próxima reunião com a ministra, marcada para dia 13, na qual pretende que esta possa “emendar a mão”. Se isso não acontecer, três dias depois a federação sindical reúne e poderá decretar uma greve.

Em declarações à Renascença, o dirigente sindical dos médicos João Proença indica que a solução encontrada para tentar resolver o problema das urgências “é insustentável”. Para ele, “o Governo quer empurrar os médicos para trabalharem apenas para as urgências, destruindo as suas carreiras, a sua capacidade de resposta e a sua vida familiar. Porque estar a pagar acima de 250 e 500 horas extra, mostra mesmo que o objetivo deste Governo não é organizar serviços que deem resposta clara aos utentes que necessitam e dar uma vida de qualidade aos médicos que prestam esses cuidados”.

O responsável da FNAM diz ainda que “é um bocadinho vergonhoso o Governo promover as horas extraordinárias em vez de promover um trabalho durante 40 horas, que é a nossa proposta e um máximo de 12 horas de urgência”. A proposta governamental “obrigar a fazer 100 horas por semana”, o que “vai criar uma indignação e espero que a crie para criar condições para que nós façamos uma grande movimentação política que provavelmente vai passar pela greve, porque isto é insustentável”.

Várias outras lutas na Saúde

O mesmo órgão de comunicação social noticia várias outras ações convocadas por médicos ou utentes em defesa melhores condições no setor. No Rossio de Viseu decorrerá na noite desta quinta-feira uma vigília em defesa de “médico de família para todos” e em Leiria haverá, ao fim da tarde na Praça Rodrigues Lobo, outra ação do mesmo tipo, organizada pela Comissão de Internos de Medicina Geral Familiar da Zona Centro.

Para além disso, também nesta quinta-feira, as associações de utentes da saúde da Península de Setúbal protestam contra as falhas nos cuidados de saúde em frente ao hospital Garcia de Orta.

Mobilizações dos enfermeiros

Nos próximos dias, ocorrerão ainda várias mobilizações dos enfermeiros. Na manhã de dia 5 os enfermeiros do IPO Porto concentram-se pela contagem dos pontos do biénio 2019 /2020, pelo pagamento de todo o trabalho extraordinário e pela vinculação. Os seus colegas do IPO Coimbra tinha já feito o mesmo nesta quarta-feira “para exigir a harmonização dos nossos direitos no que concerne à atribuição de pontos para efeitos de progressão salarial”, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Também de manhã, mas no dia 11, em frente ao Hospital Júlio de Matos, convocados pelo mesmo sindicato, os enfermeiros do Centro Hospital Psiquiátrico de Lisboa fazem ouvir reclamações semelhantes, nomeadamente a necessidade de mais contratações, de vinculações, de valorização dos cuidados de saúde mental e psiquiatria.

Para além destas ações específicas, o SEP marcou uma greve e uma concentração em frente à ARS de Lisboa para o dia 7 julho. Os enfermeiros consideram “intolerável” que a esta estrutura tenha “autonomia para gastar milhões em subcontratações” mas diga não a ter para “progredir os enfermeiros”. Denunciam ainda a situação de “cerca de 150 colegas, contratadas de forma precária, que não entram no concurso aberto”. E querem a contagem de pontos de anos anteriores, junto com a “consequente mudança de posição remuneratória”, a transição para a categoria de enfermeiro especialista das enfermeiras que “intoleravelmente não transitaram por exercício dos direitos de parentalidade e de todos os detentores do título de Enfermeiro Especialista até 31 de maio de 2019”, a vinculação de precários e mais contratações.

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