Trabalhadores da Lisnave Yards fazem greve de quatro dias

03 de October 2021 - 10:54

Os trabalhadores da Lisnave Yards começaram este sábado uma greve de quatro dias, pelo fim do regime de adaptabilidade e pela contratação de mais pessoal. Os trabalhadores referem estar exaustos e acusam a empresa de impasse na contratação de pessoal.

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Trabalhadores da Lisnave Yards fazem greve durante 4 dias, de 2 a 5 de outubro - Foto da CGTP
Trabalhadores da Lisnave Yards fazem greve durante 4 dias, de 2 a 5 de outubro - Foto da CGTP

A greve dos trabalhadores da Lisnave Yards, convocada pelo SITESUL (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul), teve início às zero horas deste sábado, 2 de outubro e vai prolongar-se até às 24h da terça-feira, 5 de outubro. A greve é convocada devido à falta de respostas da empresa e à falta de resolução dos problemas que têm sido apresentados à administração.

À Lusa, Vítor Ferreira do SITESUL afirmou: "o estaleiro precisa de muitos trabalhadores devido à sobrecarga de trabalho, uma vez que os trabalhadores da Lisnave Yards estão exaustos".

Vítor Ferreira salienta que "os trabalhadores têm que fazer anualmente 180 horas de trabalho extraordinário não pago, incluindo dez sábados ou feriados" e denuncia que esse trabalho extraordinário não é remunerado como tal e que os trabalhadores são compensados com dias de descanso, quando há quebras de produção. Os trabalhadores da Lisnave Yards querem acabar com este regime de adaptabilidade, que está em vigor desde fevereiro de 2009, uma vez que consideram que, face à quantidade de trabalho que o estaleiro tem tido, não há razão para a empresa manter esse regime.

O Jornal Económico refere que a Lisnave encerrou 2020 com um volume de vendas de cerca de 87 milhões de euros, mais 24,8 milhões do que em 2019 e uma subida de quase 40%, após a manutenção e reparação de 76 navios nos estaleiros da Mitrena (72 em 2019, 85 em 2019). Os resultados líquidos voltaram ao positivo, com lucros de 5,8 milhões de euros, contra os cerca de dois milhões de euros de perdas contabilizadas em 2019.

Segundo a Fiequimetal (Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas - CGTP-IN), os trabalhadores lutam pela eliminação do regime de adaptabilidade e pela admissão de trabalhadores para a Lisnave Yards. E, também por melhores condições de Segurança e Saúde no Trabalho, melhores condições laborais e melhores condições das refeições no refeitório.

Na segunda-feira, 4 de outubro, os trabalhadores concentram-se às 8h junto à portaria do estaleiro, na Mitrena, em Setúbal. Nessa concentração participará a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha.

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