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Trabalhadores da Eurest manifestam-se contra despedimento coletivo

Empresa anunciou no dia 8 de março o despedimento coletivo de mais 146 pessoas, das quais 141 mulheres. Esta sexta-feira houve protestos em Lisboa e no Porto. Deputado José Soeiro afirma: “mais do que um despedimento, é de uma espécie de ‘limpeza’ sindical que se trata”.
Concentração de trabalhadores da Eurest junto ao parlamento, em protesto contra despedimento coletivo, 26 de março de 2021 - Foto esquerda.net
Concentração de trabalhadores da Eurest junto ao parlamento, em protesto contra despedimento coletivo, 26 de março de 2021 - Foto esquerda.net

A Eurest, que explora cantinas e refeitórios, avançou recentemente com um despedimento coletivo de 116 trabalhadores. Agora, a empresa quer despedir mais 146 pessoas, entre as quais 141 mulheres. E fez este anúncio precisamente no dia 8 de Março, o Dia Internacional das Mulheres.

Esta sexta-feira, trabalhadores e trabalhadoras da Eurest fizeram greve e realizaram duas concentrações de protesto contra o despedimento coletivo, uma em frente à Assembleia da República e outra junto aos escritórios da empresa no Porto.

Pela anulação imediata do processo de despedimento coletivo

Na concentração do Porto, foi aprovada uma moção em que os trabalhadores da Eurest denunciam os despedimentos coletivos, referem que a empresa tem um volume de negócios superior a 100 milhões de euros por ano, recebeu apoios do Estado durante o período da pandemia e tem milhões de euros de lucro em cada ano. Trabalhadores concluem: “Não há nenhum motivo para a empresa recorrer a despedimentos coletivos e que o motivo alegado pela empresa (covid-19) é temporário e circunstancial e por isso não é motivo fundamentado para despedir”.

Na moção é também referido que mais nenhuma empresa do setor das cantinas, refeitórios ou bares recorreu a processos de despedimento coletivo e que se a Eurest considera que tem trabalhadores a mais numa unidade, “basta não concorrer a novas concessões para os contratos se transmitirem para as empresas que ficarem com a concessão”.

Os trabalhadores afirmam ainda que não é verdade que haja trabalhadores a mais em algumas unidades, assim como não tem falta de postos de trabalho alternativos nas zonas de unidades afetadas, pois “continua a contratar centenas de trabalhadores a termo através de empresas de trabalho temporário para o mercado escolar e para outras cantinas e bares que explora”.

Na moção, é denunciado também que a Eurest “instalou um clima de intimidação e medo nos locais de trabalho” e exige-se “a anulação imediata do processo de despedimento coletivo em curso e que a empresa ponha termo ao clima de assédio, intimidação e medo instalado nos locais de trabalho”.

uma espécie de ‘limpeza’ sindical”

Na sua página no facebook, o deputado José Soeiro dá conta da sua solidariedade com as trabalhadoras e trabalhadores da Eurest, revela que esteve presente na concentração realizada junto ao parlamento e pronuncia-se sobre este despedimento coletivo e a ação das trabalhadoras:

“As que seguravam a faixa que vem na foto são trabalhadoras da cantina da Tabaqueira. Há 19 anos na Eurest, há 30 anos, algumas há 40, naquele posto de trabalho.

‘Nós respeitamos muito mais a empresa - porque sempre quisemos ter tudo direito, levantávamo-nos às seis da manhã, fazíamos horários tarde para deixar a ceia para o turno da noite - do que a empresa nos respeita a nós. Tantos anos e fazem-nos isto’, dizia-nos uma das trabalhadoras.

A Eurest tem muita faturação e beneficiou de apoios públicos, nomeadamente no âmbito do lay-off. Mas mal pôde quis avançar com o anúncio deste despedimento, e fê-lo simbolicamente no dia 8 de março.

Curiosamente, ou não, os postos de trabalho que supostamente se vão extinguir coincidem com as dirigentes sindicais....

Mais do que um despedimento, é de uma espécie de “limpeza” sindical que se trata, à boleia da “crise pandémica”, num setor em que estas empresas estão a tentar impor a precariedade e a ausência de direitos como regra. As trabalhadoras estiveram hoje frente ao Parlamento, a exigir respeito e leis que as protejam. Estivemos e estaremos com elas nessa luta”.

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