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Trabalhadores da CGD renovam greve às horas extra

O sindicato denuncia que a empresa recusou aumentos o ano passado e que não regista devidamente as horas extra, obrigando os trabalhadores a fazerem anualmente “milhares” horas não pagas”.
Trabalhadores do Grupo Caixa em protesto. Foto da CGTP.
Trabalhadores do Grupo Caixa em protesto. Foto da CGTP.

Um mês depois de se ter iniciado a greve às horas extraordinárias, o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa (STEC) anunciou o seu prolongamento até 18 de fevereiro, uma vez que os pressupostos que levaram à sua convocatória inicial se mantêm.

Em comunicado emitido esta quinta-feira, a direção sindical salienta que o ano já terminou mas “o aumento salarial, legalmente devido aos trabalhadores, ainda não se verificou”. Assim, conhecido o nível de inflação, o sindicato fez as contas e decidiu rever a proposta de aumentos salariais que levará à reunião da próxima terça-feira. Passa-se a exigir agora um aumento salarial de 26 euros para todos os níveis, considerando-se ser “uma proposta justa, que além de ser igual para todos, reduz o leque salarial, apresenta uma média ponderada de 1,58% e responde, minimamente, ao valor confirmado da inflação em 2021 – 1,3%”.

O STEC faz o historial das suas propostas salariais feitas o ano passado a que a administração não correspondeu. Em janeiro, o sindicato propôs um aumento de 2%, com um valor mínimo de 35 euros, mas a CGD não lhe respondeu. Foi preciso recorrer ao Ministério do Trabalho “para obrigar ao início das negociações”. Aí, e apenas em setembro, o Grupo Caixa apresentou uma contraproposta de aumentos de 0,1%. Depois subiu para 0,2% sem propor nenhuma verba de aumento mínimo. Os sindicalistas consideraram esta proposta “uma provocação”, mas “procurando aproximar posições e facilitar as negociações” apresentaram uma nova proposta mais baixa que a inicial: um aumento de 1,6% num valor mínimo de 30 euros. Mais uma vez a empresa respondeu por baixo com uma contraproposta de 0,4% e um valor mínimo de 10 euros até ao nível 4. Destacando “a necessidade e a urgência” de aumentar salários, os trabalhadores dizem agora “aguardar com serenidade” pelo desfecho das negociações.

Nem só as questões salariais separam as duas partes. No mesmo comunicado, acrescenta-se ainda que “ao contrário do que transmitiu ao STEC”, a empresa ainda não implementou “em todos os locais de trabalho o controlo do horário de trabalho através do registo eletrónico, garantindo o reconhecimento inequívoco do trabalho prestado”.

Sobre as horas extraordinárias, o sindicato tinha convocado a greve há um mês porque, afirmava, "os trabalhadores da CGD não estão dispostos a abdicar do seu direito à saúde e à conciliação da vida pessoal, familiar e profissional estabelecido na Constituição da República e no próprio Código de Conduta da CGD, valores, aliás, amplamente distinguidos nos sucessivos Relatórios de Sustentabilidade da Empresa". Estes consideram-se “diariamente explorados, acumulando o trabalho de dois e três trabalhadores, sem horário de saída, sem descanso, sem perspetivas, realizando anualmente milhares de horas extra não pagas" e pretendem "o cumprimento do horário máximo de trabalho, que consta no Acordo de Empresa e no Acordo Coletivo de Trabalho", "o cumprimento integral de uma hora de descanso para almoço" e exigiam “que o controlo de horário de trabalho em todos os locais de trabalho, seja nos Serviços Centrais seja em Agências ou outros, se processe por meios eletrónicos". Falava-se ainda em “práticas de pressão e de assédio que levam a um clima de medo que se está a viver em toda a Caixa Geral de Depósitos no que respeita às relações de trabalho”.

Para além da greve de um mês às horas extra, os trabalhadores realizaram nos últimos dois dias de 2021 uma outra greve, que o STEC considera ter revelado “um descontentamento geral em que desmotivação, desespero, medo e a revolta se confundem”.

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