Trabalhadores académicos da Universidade da Califórnia terminam greve histórica

25 de December 2022 - 10:33

Durante cerca de seis semanas, dezenas de milhares de trabalhadores participaram na mais longa e mais participada greve numa universidade norte-americana. Obtiveram aumentos salariais e melhorias nos subsídios de transporte, de doença e nos apoios à parentalidade. Mas havia quem achasse que se podia ter ido mais longe.

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Trabalhadores de Berkeley em greve. Foto de Ian Castro/UAW.
Trabalhadores de Berkeley em greve. Foto de Ian Castro/UAW.

A mais longa e mais participada greve numa universidade norte-americana terminou esta sexta-feira. Os trabalhadores académicos da Universidade da Califórnia estiveram paralisados durante quase seis semanas exigindo melhores salários. Em votação, por larga maioria, os trabalhadores filiados no United Auto Workers aceitaram voltar ao trabalhar ao trabalho em janeiro depois da pausa de Inverno.

O protesto de assistentes universitários, investigadores, tutores e outros profissionais académicos dos 10 campus da Universidade da Califórnia e do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley tinha começado a 14 de novembro. Os pós-doutorados e investigadores tinham já alcançado separadamente um acordo mas os restantes, cerca de 36.000 mil, continuaram em greve.

Rafael Jaime, doutorando e presidente do ramo local do UAW, reclama vitória numa declaração escrita, defendendo que os acordos “redefinem o que é possível em termos de como as universidades apoiam os seus trabalhadores” já que “incluem apoios especialmente significativos para pais e trabalhadores marginalizados e vão melhorar a qualidade de vida de cada um dos trabalhadores académicos da Universidade da Califórnia”.

15 dos 40 membros da equipa negocial dos trabalhadores, contudo, discordaram deste posição e fizeram campanha para que o acordo não fosse ratificado. Salientavam que este ficou aquém das exigências iniciais, não permite aos trabalhadores suportarem o alto custo de vida da Califórnia, especialmente do alojamento, e que seria possível obter mais. Por exemplo em Santa Cruz o voto contra o acordo foi amplamente maioritário e tinha o apoio do ramo sindical local.

O acordo resultará em aumentos salariais de até 66% salientam os seus defensores. A partir do final do período de outono de 2024, o salário mínimo dos contratos de nove meses dos professores assistentes, por exemplo, passará a ser de 36.500 dólares em Berkeley, San Francisco e na UCLA e 34.000 nos outros campus. Haverá ainda melhorias nos subsídios de transporte, de doença e nos apoios à parentalidade.