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Torres Novas: “precisamos de igualdade”

A vereadora Helena Pinto fez o balanço de um mandato onde “crítica e denúncias estiveram presentes” mas que “foi marcado sobretudo pelas propostas e pela alternativa” e propôs políticas para um tempo de “novas exigências” que não podem deixar “ninguém para trás”.
Helena Pinto na apresentação da candidatura de Torres Novas.
Helena Pinto na apresentação da candidatura de Torres Novas.

Helena Pinto, atual vereadora na Câmara Municipal de Torres Novas, é novamente cabeça de lista pelo Bloco de Esquerda a esta autarquia. Apresentou este domingo a candidatura e começou por fazer o balanço do mandato que agora está a terminar. “Demos o nosso melhor”, afirma sempre no plural como gosta de conjugar este projeto.

Para a autarca: “nunca faltámos à chamada e orgulhamo-nos de um mandato onde a crítica e as denúncias estiveram sempre presentes, cumprindo assim o papel de escrutinar a prática da maioria mas que foi marcado sobretudo pelas propostas e pela alternativa”. E dá conta das várias áreas em que estas soluções foram sendo apresentadas que vão desde o estado da rede viária, a situação do Rio Almonda, o centro histórico, o emprego, o clima, a saúde, “em particular a falta de médicos nas freguesias rurais”, os direitos “contra discriminações e preconceito”, a educação e a proteção civil. “Estivemos, estamos e vamos estar com as populações afetadas pela Poluição provocada pela Fabrióleo os resultados desta luta tão dura já estão aí a começar a ser vistos”, destaca.

Nos últimos tempos, com a pandemia, “era necessário que as políticas públicas dessem resposta. Era preciso atuar, ousar e inovar e estar sempre presente”. E o Bloco fez dezenas de propostas. Só que “o sectarismo e a falta de visão da maioria do PS recusaram a maioria das nossas propostas.

A Câmara Municipal faltou à chamada quando a população mais precisava. Alguns ficaram para trás e isso é imperdoável”, critica. E dá um exemplo: “propusemos programas de apoio local ao comércio e às pessoas, 500 mil euros. Um ano depois, esta semana, o PS vem propor apoios ultrapassados e tímidos, uma renda para o pequeno comércio e mais um vale de desconto para a população”.

Problemas que já vinham de antes. Para Helena Pinto estes foram “quatro anos sempre a marcar passo, sempre em atraso, nunca à frente”. O Partido Socialista que detém a maioria na autarquia “não mereceu a maioria” e “não se conhece estratégia para o desenvolvimento do concelho”. Apenas se “repetem os projetos do anterior mandato como se fossem novidade” e “apresentam-se obras que levaram 20 e mais anos para se concretizar como grandes vitórias e grandes feitos”. Faz-se “tudo à última da hora e em cima do joelho” e o “presidente governa por despacho”. “Políticas sociais é coisa que não existe” e “o setor do urbanismo funciona como um travão ao desenvolvimento e como um autêntico castigo para empresas e munícipes”, acrescenta.

A autarca lembra as cerca de três décadas em que o PS esteve à frente dos destinos do concelho para sublinhar que é tempo de “novas exigências”, entre as quais coloca os “desafios do digital”, a “premência das políticas sociais no contexto demográfico”, a “urgência do ordenamento do território”, as alterações climáticas, uma “nova etapa na governação em que a competição entre concelhos seja substituída pela colaboração”, a lógica das infraestruturas e dos equipamentos que deve ser “planeada a nível regional” e a criação de políticas públicas que “não deixem ninguém para trás”.

O Bloco quer um concelho que “se foque no ambiente, nas suas gentes e no desenvolvimento”. “Precisamos de igualdade”, realça apresentando vários exemplos: “no acesso aos serviços municipais, no tratamento dos processos do urbanismo, entre os artistas locais, entre clubes e associações, cidade e aldeias, homens e mulheres, mais novos e mais velhos”. Quer também que as decisões sejam “transparentes, explicadas e escrutinadas”.

Tirar o concelho do pântano de mediocridade política

O cabeça de lista à Assembleia Municipal Roberto Barata começa por criticar uma “classe política que se concentra na forma e muito pouco no conteúdo”, a quem “interessa mais a pose, a dicção, a postura, as campanhas de marketing ou as redes sociais do que os princípios que deviam guiar a ação de todas e de todos”, o “discurso tecnocrático” feito “para passar uma imagem intelectual que não passa de uma fachada”.

Em contraste, a candidatura do Bloco não aceita “criar a ideia de que o povo não é capaz de compreender a mensagem mas tampouco aceitamos falar confuso para que no meio de discursos floreados a mensagem passe ao lado”.

Depois, passa à crítica mais concreta: “o mais evidente trabalho do Partido Socialista em Torres Novas nos últimos anos tem sido a gestão dos seus enormes erros, a redução da massa crítica ao seu redor e o desprezo por regras básicas da democracia”. “Que as Guerras entre as comadres do PS não nos distraiam são todos farinha do mesmo saco e alunos da mesma escola”, afirma.

O engenheiro e autarca do Bloco reitera várias das propostas e temas centrais da candidatura: o “Rio Almonda despoluído”, as acessibilidades, a liberdade de expressão, a “comunicação social forte, livre e plural”, o apoio às associações. E diz ainda que é preciso “lutar para tirar o concelho do pântano de mediocridade política que nos querem vender como oásis”. Pelo contrário, “a força desta candidatura está na experiência mas também na irreverência”, na “resposta comum que nasce de uma diversidade” e “vontade de fazer diferente e melhor”.

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