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Tomás Medeiros (1931-2019)

Faleceu o lutador anti-colonialista António Tomás de Medeiros. Foi guerrilheiro anticolonialista, médico e escritor. Foi um dos fundadores do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe e esteve ligado aos primórdios do MPLA. Veio mais tarde viver para Portugal por não se sentir identificado com as políticas destes partidos.

António Tomás Medeiros nasceu em São Tomé, em 5 de Novembro de 1931. Participou em várias associações estudantis e na criação da UGA (União Geral dos Estudantes da África Negra Portuguesa). Pertenceu à direção da Casa dos Estudantes do Império desde 1957 a 1961, onde foi diretor do boletim “Mensagem”. Participou na chamada fuga dos cem estudantes que, em meados de 1961, saíram clandestinamente de Portugal para ingressar nos movimentos de libertação nacional angolanos.

Em 1964, Tomás Medeiros, que se formara em medicina na então União Soviética e se especializara em medicina militar e identificava-se com a luta angolana, integrou a guerrilha do MPLA em Cabinda. Dali foi enviado para Accra onde colaborou na fundação do movimento nacionalista santomense, MLSTP, e na propaganda da luta nacionalista angolana. Saiu do Ghana em 1966 depois do golpe de estado que depôs N’Krumah, tendo-se fixado em Argel onde passou a exercer a sua profissão de médico e a colaborar com Aquino Bragança e Mário Pinto de Andrade na CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas), organismo que teve importante papel na divulgação da luta empreendida pelos movimentos nacionalistas PAIGC, MPLA e FRELIMO.

Após as independências, não se identificava com os rumos escolhidos pelos poderes instalados, quer em São Tomé, quer em Angola, e partiu para o exílio, fixando-se em Portugal onde agora faleceu.

Para além de ter escrito livros de medicina, Tomás Medeiros é um dos grandes poetas santomenses e escreveu também ficção e ensaio. Os seus poemas figuram em antologias de poesia africana de língua portuguesa como “No Reino de Caliban'” e “Antologias de Poesia da Casa dos Estudantes do Império/1951-1963”. Escreveu ainda '”Quando os Cucumbas Cantam”' e “'A Verdadeira Morte de Amílcar Cabral.”

Os países africanos antigas colónias portuguesas acabam de perder um intelectual, um combatente da liberdade.
O seu velório terá lugar no dia 10/09/2019 no Centro Funerário de Alcabideche, situado na rua de Cascais, a partir das 17 horas. E a homenagem ao falecido realiza-se no mesmo sítio às 14h do dia 11.

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