Tesla despede trabalhadores da fábrica que iniciou processo de sindicalização

17 de February 2023 - 12:45

Na terça-feira, um grupo de trabalhadores lançou um apelo para a criação de um sindicato numa fábrica de Buffalo, que seria o primeiro na empresa de Elon Musk. No dia seguinte vários trabalhadores começaram a ser despedidos

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Fábrica da Tesla em Fremont. Foto de Maurizio Pesce/Flickr.

Os trabalhadores de uma fábrica da Tesla em Buffalo, Nova Iorque, tinham iniciado esta terça-feira uma campanha para tentar organizar um sindicato no seu local de trabalho. Seria o primeiro na empresa. O processo implica a recolha de assinaturas e conseguir vencer uma votação entre todos os trabalhadores da fábrica e a Tesla é conhecida pelas suas posições anti-sindicais.

Em 2021, Elon Musk, o patrão da empresa, foi obrigado pela National Labor Relations Board, a entidade federal que supervisiona as relações entre sindicatos e empresas, a apagar um tuíte que tinha feito em 2018 no qual ameaçava ilegalmente os trabalhadores da empresa de lhes retirar os benefícios na compra de ações da empresa se escolhessem aderir ao sindicato United Auto Workers. Já em agosto de 2022, a mesma entidade tinha anulado uma decisão do tempo do mandato de Trump que dava cobertura à proibição dos trabalhadores de usarem na fábrica camisolas com identificações daquele sindicato.

Na carta que o “Tesla Workers United” tornou pública para anunciar a campanha, apropriou-se do imaginário da companhia para fazer passar a mensagem da necessidade de criação de um sindicato ao dizer que querem “construir um ambiente ainda mais colaborativo que vai fortalecer a empresa”, criar um sindicato tão inovador quanto o carro elétrico produzido pela marca e escrevendo ainda que “acreditamos que ao ter um sindicato na Tesla, vamos elevara missão da sustentabilidade e alimentar um ambiente progressista para todos”, tornando-se a consciência da organização. Defendiam ainda que o direito a organizar um sindicato é um direito civil fundamental.

No dia seguinte, os despedimentos

Um dia depois do apelo à criação do sindicato, vários trabalhadores foram despedidos. Em comunicado, a empresa recusa qualquer ligação entre os factos, diz que era uma medida já decidida antes e relacionada com fraca produtividade e alega que apenas um dos 27 despedidos “se identificava oficialmente como parte da campanha de sindicalização”.

O TWU responde que os despedimentos são inaceitáveis e que as expetativas de produtividade que a empresa impõe são “injustas, inalcançáveis, ambíguas e sempre em mudança”. E Arian Berek, um dos despedidos, citado pela Associated Press, emitiu uma declaração em que confessou ter sido “apanhado de surpresa, apanhei Covid e estive fora do escritório, a seguir tiver que tirar uma licença por luto. Voltei ao trabalho e fui informado de que estava a superar as expectativas e depois chegou a quarta-feira. Sinto fortemente que isto é uma retaliação ao anúncio do comité de sindicalização, o que é vergonhoso.” A sua colega Sara Constantino, membro do comité de sindicalização, resume o estado de espírito dos seus camaradas: “estamos zangados. Isto não nos vai atrasar. Isto não nos vai parar. Querem que fiquemos assustados querem iniciar uma debandada. Mas nós podemos fazer isto. Acredito que o vamos fazer”, afirma.

Ainda antes da iniciativa de sindicalização, o ramo de Rochester do sindicato Workers United tinha apresentado queixa contra a Tesla, acusando-a de práticas laborais injustas. Nesta queixa surgiam os nomes de vários dos trabalhadores agora despedidos. Por isso, o sindicato acredita que a Tesla “despediu estes indivíduos como retaliação pela sua atividade sindical e para desencorajar a atividade sindical”, tendo pedido já ao regulador das relações de trabalho uma suspensão dos despedimentos.