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Terreno da RTP vendido por cerca de 600 mil euros em 2016, agora vale 12 milhões

O conselho de administração da RTP vendeu o terreno da antiga emissora em Miramar por cerca de 600 mil euros. Segundo o Sol, o mesmo terreno está agora à venda por 12,3 milhões. A Comissão de Trabalhadores pede justificações sobre o caso e sobre os negócios com a empresa que pertencia ao secretário de Estado Nuno Artur Silva.
Antigo e novo emissor da RTP no Porto em 2012. Foto: RTP/Flickr.
Antigo e emissor da RTP no Porto em 2012. Foto: RTP/Flickr.

É apresentado como “um dos melhores terrenos dos Porto – Vila Nova de Gaia – Miramar ideal para a construção de uma unidade hoteleira, resort de luxo ou condomínio de luxo!” A acreditar na descrição do anúncio publicado no site de vendas Idealista, torna-se difícil perceber porque foi vendido por cerca de 600 mil euros para, passados quatro anos, estar à venda por 12,3 milhões.

O terreno em causa era o da antiga estação emissora da RTP, situado em Miramar, Vila Nova de Gaia. O presidente da administração da empresa, Gonçalo Reis, vendeu-o então por menos vinte vezes o que vale agora como consta do relatório de contas da empresa de 2016. O valor da venda não é conhecido com detalhe, uma vez que é apresentado em conjunto com outros, nomeadamente um prédio em Ponta Delgada. A soma total inscrita do documento é 621800 euros.

A Comissão de Trabalhadores da RTP anunciou que este assunto constará entre as 11 justificações que os trabalhadores irão pedir ao Conselho de Administração na reunião da próxima segunda-feira.

Outra preocupação, nomeadamente da sub-Comissão de Trabalhadores do Porto, são os rumores de que estará em preparação uma reestruturação do Centro de Produção do Norte que implicaria “a demolição de alguns edifícios no âmbito de uma operação imobiliária tendente a alienar terrenos.”

Produções Fictícias, negócios reais

Os trabalhadores querem também ver esclarecidos os contratos assinados recentemente entre a RTP e a empresa Produções Fictícias que pertencia ao secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva.

Estes contratos superam os 400 mil euros. E, segundo o Semanário Sol, ainda há outro negócio em discussão que pode elevar este valor acima do milhão de euros. Quando assumiu a pasta governativa, Artur Silva cedeu a sua parte da empresa a um sobrinho. O governante tem sido acusado de conflito de interesses porque no contrato de cedência de quotas passa a ter direito a embolsar mais 20 mil euros se o resultado líquido da empresa for, até ao final deste ano, superior a 40 mil euros.

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