Temperaturas na Europa sobem o dobro da média mundial

03 de November 2022 - 10:02

Um relatório da Organização Mundial de Meteorologia mostra um aumento de fenómenos climáticos extremos no continente. Em 2021, morreram na Europa 297 por causa destes. 510.000 foram afetadas no total, sobretudo devido a cheias e incêndios.

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O relatório da Organização Mundial de Meteorologia dedicado à Europa, publicado esta quarta-feira, revela que a temperatura no continente aumentou o dobro da média mundial ao longo dos últimos 30 anos. Assim, desde 1991, a temperatura na Europa tem vindo a aumentar a um ritmo de 0,5 graus Celsius por década.

Este aquecimento fez os glaciares dos Alpes perderem 30 metros na espessura do gelo entre 1997 e 2021. A camada de gelo da Gronelândia está também a derreter, acelerando a subida do nível dos mares.

O foco do estudo “O estado do clima na Europa” foi o ano de 2021, tendo-se contabilizado neste ano 51 fenómenos meteorológicos extremos que causaram 297 mortes, afetaram 510.000 pessoas e causaram estragos no valor de 50 mil milhões de euros. Na sua esmagadora maioria, 84% dos casos, foram inundações ou tempestades com chuvas intensas, como as da Alemanha e da Bélgica. Sublinham-se ainda os enormes incêndios na Turquia e na Grécia.

No ano passado, a temperatura média anual da Europa ultrapassou em 0,9 graus Celsius a média do período entre 1981 e 2010 e 1,44 a média do período entre 1961 e 1990. Já a temperatura média global ficou 1,11 graus acima da média pré-industrial, menos do que em anos anteriores, o que é atribuído ao arrefecimento provocado pelo fenómeno climático La Niña que faz descer as temperaturas superficiais de parte das águas do Pacífico.

O documento afirma que a saúde dos europeus está a sofrer o impacto das alterações climáticas através de uma “miríade de formas, incluindo mortes e doenças de acontecimentos climáticos cada vez mais frequentes”, aumentos de zoonoses e doenças infeciosas causadas por vetores (como as carraças), comida e água e doenças mentais. Os fenómenos climáticos extremos mais letais são as ondas de calor, “particularmente na Europa ocidental e do sul, onde a combinação das alterações climáticas com a urbanização e o envelhecimento potenciam a vulnerabilidade. Pode haver igualmente um aumento de doenças alérgicas por causa de alterações na produção e distribuição de pólen e esporos.

Por outro lado, o gabinete regional europeu da Organização Mundial de Saúde salienta que em 2019 ocorreram cerca de meio milhão de mortes prematuras na região devido à poluição atmosférica.

As alterações climáticas no continente têm ainda efeitos nos ecossistemas, como os estragos causados por incêndios, e na infraestrutura de transportes, a maior parte da qual não foi construída para ser resistente aos extremos climáticos atuais.