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“Temos de perceber a quem o racismo serve, a quem a discriminação serve"

O segundo debate do Acampamento Liberdade, este ano em versão online, foi dedicado ao antirracismo. Esta iniciativa contou com a presença da deputada Beatriz Gomes Dias e também da ativista Andreia Galvão.
Beatriz Gomes Dias e Andreia Galvão no debate antirracista do Acampamento Liberdade 2020

O debate desta quarta-feira do Acampamento Liberdade foi muito marcado pela discussão do assassinato de George Floyd, “um evento que parou o mundo” e que levou as participantes a discutir várias vertentes do problema do racismo.

Para a deputada e também ativista antirracista, Beatriz Gomes Dias, este assassinato não é um episódio isolado, ele inscreve-se num “contínuo de violência e brutalidade policial nos Estados Unidos” que tem mobilizado a sociedade norte-americana contra o racismo. Este evento veio somar-se à crise da pandemia que veio expor o nível de discriminação, preconceito e violência a que a comunidade negra está sujeita no Estados Unidos.

As mobilizações que se observaram por todo o mundo, após o assassinato de George Floyd, resultam da revolta em relação à brutalidade do homicídio que serviu como catalisador de reivindicações que estão presentes em todos os países.

Mais à frente no debate, Beatriz Gomes Dias abordou a questão do racismo na sociedade portuguesa. “O racismo deve ser entendido como uma construção social, como um sistema que se vai perpetuando que tem uma dimensão institucional e estrutural”. Esta segunda dimensão explica como o racismo se relaciona com a própria organização da sociedade e como são estabelecidas hierarquias de pessoas que definem quais são os papéis sociais que as pessoas podem ou não podem desempenhar.

“Nós temos que perceber a quem o racismo serve, a quem a discriminação serve. A discriminação serve aqueles que querem estabelecer hierarquias de humanos para poderem explorar melhor”.

A ativista Andreia Galvão questionou ainda a deputada sobre a sua experiência como professora e sobre a forma como o racismo se reflete no sistema educativo. Sobre isto, a deputada bloquista falou da “ausência de informação sobre as comunidades racializadas e a forma como as pessoas escravizadas são representadas como mercadorias nos manuais escolares”. Para resolver este, e outros problemas que surgem no sistema educativo português, é necessário trabalhar uma visão crítica sobre a história, sobre a memória, a ciência, a tecnologia, a língua, para que a escola possa ser mais igualitária”.

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