You are here

"Temos de acabar com a vergonha do negócio do combate aos incêndios"

Pedro Filipe Soares assinalou que “o dossier dos helicópteros Kamov é um bom exemplo de um negócio feito à custa do erário público e é mais um legado do governo PSD/CDS”. “Enquanto os helicópteros estavam parados, voavam os milhões de euros dos cofres públicos para o bolso dos privados”, lamentou.

Durante a sua intervenção, Pedro Filipe Soares lembrou que “o ano de 2016 está a ser marcado pelo flagelo dos incêndios que grassa pelo nosso país”, sendo que “temos metade da área ardida da Europa em Portugal”.

O líder da bancada bloquista quis sublinhar “o reconhecimento pelo esforço dos bombeiros que pelo país têm combatido os fogos muitas vezes com forças sobrehumanas e com uma disponibilidade que devemos admirar”, bem como expressar a sua solidariedade “às populações de norte a sul do país e nas ilhas que foram atingidas pelo flagelo e que não podemos deixar sem respostas”.

“Anos excepcionais devem ter respostas excecionais para apoio a estas populações”, vincou.

Se “é verdade que estamos perante alterações climáticas” acentuadas e a “bater todos os recordes de temperaturas” também é verdade, segundo Pedro Filipe Soares, “que o pais não pode estar continuadamente a saque, continuadamente a depender destes acontecimentos atmosféricos para, ano após ano, ver a sua riqueza ser destruída”.

Por outro lado, “é verdade que há um legado pesado do governo anterior”.

“O saque que PSD e CDS fazem ao país ainda dura, com a destruição da floresta. As escolhas, por exemplo, da eucaliptização do país, aquela decisão conhecida de Assunção Cristas, é a escolha de quem deu então uma menor diversidade à floresta” destacou o dirigente bloquista, lembrando ainda que a floresta de eucaliptos é a “mais propensa aos incêndios” e a que “mais gera área ardida”.

Pedro Filipe Soares recordou ainda que, em Portugal, apenas 3% da área florestal está sob a alçada do Estado, o que contrasta com a Alemanha, com 55% de área pública, e com a média da União Europeia, de 50%, o que espelha bem “a disparidade da presença do Estado na floresta e como isso tem influência e impacto no ordenamento da floresta e nas políticas de prevenção”.

Segundo o líder parlamentar do Bloco, “há escolhas. Existem políticas ativas que podem combater o abandono das terras, e o associativismo de proprietários florestais é um desses exemplos”.

Pedro Filipe Soares elencou ainda outras medidas, como “a realização de um cadastro que nos diga quem são os proprietários que abandonaram as terras”.

“O legado do PSD, da eucaliptização, tem de ser revogado. Não podemos deixar que o eucalipto continue a alastrar com a vontade predadora das celuloses ao mesmo tempo que deixa mais desprotegidas as populações”, defendeu.

O dirigente do Bloco referiu-se também a medidas de combate, que passam por “melhores políticas de coordenação da proteção civil, particularmente na relação do local com o distrital e do distrital com o nacional”.

“Mas temos definitivamente de parar com a vergonha do negócio do combate aos incêndios", destacou, assinalando que “o dossier dos helicópteros Kamov é um bom exemplo de um negócio feito à custa do erário público e é mais um legado do governo PSD/CDS”.

“Enquanto os helicópteros estavam parados, voavam os milhões de euros dos cofres públicos para o bolso dos privados” acrescentou Pedro Filipe Soares, apontando que “se o interesse público nunca foi acautelado, a verdade é que o interesse privado tem sido sempre beneficiado”.

O dirigente bloquista sublinhou que o Bloco espera que “rapidamente seja feita justiça e que o relatório feito pela Inspecção-Geral da Administração Interna e enviado ao Ministério Público tenha consequências”.

Os bloquistas pedem ainda “uma investigação ao concurso público que deu à Everjets, depois comprada por Domingos Névoa, a operação de manutenção dos helicópteros”.

Pedro Filipe Soares assinalou ainda que “o Bloco acompanha a ideia de colocar, como foi no passado, a Força Aérea à disposição do país e da proteção civil para combater os incêndios”.

“A prioridade é a defesa das populações, a garantia de uma floresta ao serviço do país e de um interesse económico que jamais subjugue o país”, rematou.

Pedro Filipe: "Temos definitivamente de acabar com a vergonha do negócio do combate aos incêndios"

Termos relacionados Política
Comentários (1)