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Teleperformance obriga a trabalhar no fim de semana como dia normal

Sindicato exige intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho e denuncia incumprimento de normas de higiene e diretivas da DGS. Teleperformance insiste em manter muitos dos seus 10.500 trabalhadores em trabalho presencial.
Call-center. Foto da CGTP.
Call-center. Foto da CGTP.

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal denunciou esta quarta-feira a situação na Teleperformance, uma empresa que se “vangloriava” de ser uma das “melhores empresas para trabalhar”.

O quadro traçado pelo CESP é muito diferente da publicidade feita pela empresa às suas condições de trabalho. A multinacional fundada em França em 1978, e que anunciou uma faturação de 5.355 mil milhões de euros em 2019, está a obrigar os seus 10.500 trabalhadores em Portugal a trabalhar aos fins de semana como se fossem dias da semana e não cumpre normas de higiene e segurança, “inclusivamente das diretivas da Direção-Geral da Saúde.”

Segundo o sindicato, para forçar os trabalhadores a aceitar esta situação a Teleperformance “ameaça-os com a recusa de pedidos de teletrabalho”.

Sobre as condições de higiene e segurança, o CESP garante que estas se agravaram “como são exemplos os espaços de trabalho pouco arejados, a falta de higienização dos filtros dos sistemas de ar condicionado e dos headsets e postos de trabalho partilhados”. A isto soma-se a inexistência de equipamentos de protecção individual, a falta de gel desinfectante e o desrespeito pelo distanciamento social recomendado. Diz a estrutura sindical que o que é “já é inaceitável em condições normais, é ainda mais penoso em situação de surto pandémico”.

Tudo isto fez o CESP enviar um oficio à empresa mas também solicitar “a intervenção urgente da Autoridade para as Condições de Trabalho”.

No passado domingo, a Plataforma Resposta Solidária tinha denunciado “a irresponsabilidade das empresas do sector dos call center em forçar o trabalho presencial”. A denúncia incluía a Teleperformance, que insistia em manter pelo menos três mil trabalhadores do centro de atendimento de Entrecampos neste regime de trabalho.

Baseada em relatos de trabalhadores no local, a Plataforma explicava que “só as chefias, os responsáveis pelos projectos e alguns trabalhadores (os que trabalham para os projectos mais lucrativos para a Teleperformance) é que já estão em teletrabalho, mas a esmagadora maioria de operadores de call center continuam a ser forçados ao trabalho presencial, apesar dos riscos para a sua saúde”.

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