O “Aurora Negra” foi o espetáculo vencedor da Bolsa Amélia Rey Colaço e tem como base a invisibilidade dos corpos negros. Estreou em setembro e regressou agora ao Teatro Nacional D. Maria II, vai estar em cena de 10 a 20 de junho, segundo a agência Lusa.
A obra foi criada e é interpretada por três mulheres negras: Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Yracema. A peça tenta ser “um mergulho” sobre as experiências das três atrizes portuguesas, onde partilham as suas vivências.
Têm como objetivo desconstruir estereótipos a partir das suas memórias, desde a infância até a comprovação da invisibilidade dos corpos negros, sobretudo no ramo das artes.
Numa conversa com a imprensa, em setembro de 2020, as três atrizes apontavam que o acesso à construção das narrativas é constantemente negado aos atores negros, normalmente destinados a papéis estereotipados.
Cleo Tavares sublinhava que “tem de existir mais diversidade quando se forma uma equipa, porque são pessoas que trazem outra sensibilidade, outras histórias. Porque, normalmente, o pensamento de quem escreve é condicionado à partida”.
No “Aurora Negra” fala-se em português, crioulo e tchokwe. Foi o vencedor da Bolsa Amélia Rey Colaço, que tem como objetivo apoiar a produção de espetáculos de jovens artistas e companhias emergentes.
Esta iniciativa é da responsabilidade do Teatro D. Maria II, instituída em 2018 para promover “a renovação da criação teatral portuguesa”.
A peça vai estar em cena na sala estúdio do Teatro Nacional D.Maria II de 10 a 20 de junho. No último dia terá interpretação em Língua Gestual Portuguesa e audiodescrição.