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Taxistas de Madrid prosseguem greve pela regulação das novas plataformas

Ao nono dia de greve, os taxistas madrilenos anunciaram estar dispostos a retomar negociações com o governo regional do PP.
Manifestação de taxistas em frente à sede do PP em Madrid.
Manifestação de taxistas em frente à sede do PP em Madrid. Foto Federação Profissional de Taxi de Madrid/Twitter

Prossegue o braço de ferro entre taxistas e o governo regional de Madrid por causa da regulação das empresas de veículos de aluguer com condutor (VTC) integrados em plataformas como a Uber. Mais de 2.000 taxistas protestaram esta segunda-feira na Porta do Sol, em frente à sede do governo, e seguiram depois para uma sessão pública promovida pelo PP, com a presença dos seus candidatos à Câmara e à Presidência da Comunidade de Madrid. Os participantes foram obrigados a ficar no edifício e só saíram sob escolta policial.

Este foi mais um dos nove dias de luta que encheram de táxis parados o centro da capital espanhola. Em entrevista ao Diário 16, o porta-voz da Federação Profissional de Taxi de Madrid afirma que “existem 12 mil autorizações de VTC a nível nacional que estão nas mãos de 26 pessoas”, o que configura um negócio milionário e com portas giratórias entre a política e a banca. Por exemplo: a empresa de capital de risco da filha do presidente do BBVA é a maior acionista da Cabify; um ex-ministro do PP responsável pela lei que definiu o rácio de 1 VTC por 30 táxis também tem ligações a uma empresa deste setor; um ex-deputado e senador do PP de Valladolid agora contratado para assessorar a Uber; ou um ex-deputado catalão e marido da líder dos Ciudadanos catalães, que tem mantido o silêncio sobre o braço de ferro, agora consultor da Uber.

“Por trás de tudo isto há uma rede de poder financeiro e o que chamamos neste país de amiguismo. Esta é uma história de portas giratórias”, diz José Miguel Fúnez, que esta terça-feira repete ao fim da tarde a concentração na Porta do Sol, antes de seguirem para um acampamento montado junto ao Aeroporto de Barajas.

A associações de taxistas de Madrid pretendem retomar as negociações com o governo regional com uma nova proposta em que flexibilizam algumas das exigências iniciais para chegar a “uma alternativa que seja boa para todos”. A principal reivindicação continua a ser que a lei preveja um tempo mínimo para precontratar os serviços de VTC, entre 15 minutos e uma hora, que os municípios possam alargar se assim o decidirem. Outra das propostas é a fixação de um trajeto mínimo de 5 quilómetros para os VTC.

Barcelona: nova lei não agrada às plataformas

A exigência dos taxistas de Madrid é semelhante ao decreto que acaba de ser aprovado pelo governo catalão, após vários dias com taxistas e condutores de VTC, que usam as plataformas Uber e Cabify, a ocuparem as principais artérias de Barcelona.

O decreto prevê uma antecedência mínima de 15 minutos na precontratação dos serviços de VTC, que pode ser alargada se for essa a vontade de cada município ou entidades supramunicipais. As empresas que gerem as licenças de VTC levantaram o bloqueio da Avenida Diagonal, onde centenas de automóveis ocuparam quatro faixas ao longo dos últimos dez dias, e prometem nova mobilização após análise do decreto agora aprovado pela Generalitat.

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