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Talibãs aumentam repressão sobre as mulheres

A ordem para que as mulheres se cubram da cabeça aos pés no espaço público é a mais recente medida do governo para limitar a liberdade das mulheres no país.
Foto EPA/Stringer

A medida anunciada na semana passada significa um recuo de décadas nos direitos das mulheres afegãs. Tal como no regime talibã no final dos anos 1990, as mulheres deixam agora de poder sair à rua sem estarem totalmente cobertas, incluindo o rosto, deixando apenas os olhos visíveis. Esta “lei da burka”, segundo o Líder Supremo do país, Hibatullah Akhundzada, serve para “evitar provocações quando estão na presença de homens que não são familiares próximos”. E caso as mulheres não tenham algo importante a fazer lá fora, “o melhor é ficarem em casa”, acrescentou. Segundo o decreto aprovado, caso uma mulher seja apanhada no espaço público sem o rosto coberto, o seu pai ou familiar masculino mais próximo arrisca pena de prisão e, caso seja funcionário público, despedimento sumário.

A ordem começou por não ser cumprida pelas apresentadoras de alguns canais televisivos, ao ponto de o governo ter ameaçado que iria fazê-la cumprir no fim de semana. Este domingo, já todas as apresentadoras tinham a cara coberta e em alguns canais, os apresentadores masculinos começaram a usar máscaras cirúrgicas em sinal de solidariedade.

Imposição da burka é "apartheid de género"

Para Nahid Fari, ex-deputada afegã e ativista pelos direitos das mulheres, a imposição da burka significa a instituição de um regime de “apartheid de género”.

“O código de vestuário para as mulheres, e o facto de serem os homens os executantes deste plano, juntamente com as restrições dos talibãs à educação das raparigas, são a prova de que este grupo procura controlar o corpo e a mente de metade da população”, acrescentou Fari, citada pela Deutsche Welle. Outros ativistas e ex-responsáveis políticos afegãos queixam-se do aproveitamento por parte do poder do facto de as atenções do mundo se terem voltado para a guerra na Ucrânia, condenando ao esquecimento a situação das mulheres afegãs por parte da opinião pública mundial.

Nos últimos tempos, os talibãs no poder têm multiplicado as medidas contra a liberdade das mulheres. Além dos sucessivos recuos na promessa de manter a educação da população feminina - o regressado Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício disse no início de maio que a reabertura de escolas para raparigas a partir do sexto ano está dependente da aprovação do código de vestuário - há relatos de espancamentos a atletas femininas para desencorajar a prática de desportos, a proibição de mulheres e homens - mesmo que parentes - possam comer juntos em restaurantes ou visitar parques na cidade de Herat, considerada liberal em comparação com o resto do país. Também em Herat, as escolas de condução receberam ordens verbais para deixarem de dar aulas ou emitir cartas de condução para mulheres.

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