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Tailândia: jornalista denuncia exploração de imigrantes em quinta e é condenada a prisão

A jornalista tailandesa Suchanee Cloitre foi condenada a dois anos de prisão por injúrias depois de ter comentado no Twitter um caso de exploração de imigrantes num aviário propriedade de uma das mais poderosas empresas do país. A Thammakaset Co apresentou mais cerca de vinte queixas pelo mesmo motivo nos tribunais.
Suchanee Cloitre. Foto do Sindicato de Jornalistas da Tailândia. Facebook.
Suchanee Cloitre. Foto do Sindicato de Jornalistas da Tailândia. Facebook.

Suchanee Cloitre, jornalista da Vocie TV na Tailândia, não terá pensado que o seu comentário no Twitter tivesse tais consequências. Nesta terça-feira, um tribunal tailandês condenou-a dois anos de prisão por uma referência na sua conta da rede social à sentença de um juiz que ordenou que um dos principais grupos económicos pagasse a uma indemnização a vários empregados seus que acusara de difamação por se terem queixado das condições de trabalho.

Não está sozinha. Há mais cerca de uma vintena de casos de trabalhadores ou ativistas que se encontram na mesma situação. A Thammakaset Co utiliza frequentemente o expediente de apresentar queixas em tribunal contra quem a critique como forma de intimidação. É isso que pensa a Human Rights Watch que sublinha que a “litigação estratégica contra a participação do público” parte de uma situação desigual em que ativistas ambientais e sindicais têm menos hipóteses de provar o seu ponto de vista do que as empresas milionárias que a praticam.

No caso concreto de Cloitre, na raiz da denúncia estava a situação de um grupo de 14 trabalhadores imigrantes que se tinham queixado na Comissão de Direitos Humanos tailandesa, em agosto de 2016, por estarem a ser obrigados a trabalhar para além dos horários legais, vinte horas por dia durante 40 dias de seguida, por serem pagos abaixo do salário mínimo e terem a sua documentação confiscada pela empresa, o que limitava a sua liberdade de circulação. Os trabalhadores venceram o caso e a empresa foi obrigada a pagar-lhes 56 mil euros de indemnização. Cloitre, que comentou no Twitter que se tratava de um caso que envolvia escravatura no trabalho, acabou condenada.

A jornalista anunciou que vai recorrer da condenação e está neste momento em liberdade depois de ter pago fiança. A sua advogada, Waraporn Uthairangsri, declarou à imprensa que Suchanee “ficou muito surpreendida. Não se esperava que o tribunal a condenasse a uma pena tão grave”, avança a agência Associated Press. Para além disso, acrescentou que “este veredito irá fazer efeito na imprensa tailandesa. Têm de ter muito cuidado ao reportar qualquer história”.

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