Os últimos dias na linha de Sintra ficaram marcados por supressões. Foram, pelo menos, cerca de 70 no início desta semana, gerando indignação nas horas de ponta. Atrasos, comboios a abarrotar e calor insuportável dentro das composições foram alguns dos motivos de queixa dos utentes.
Em comunicado, a CP explica que os comboios têm sido suprimidos “devido ao excesso de imobilizações de material circulante”. Os comboios em falta estão para “reparação ou para manutenção”. A empresa admite que os cortes se fazem sentir “com mais incidência nas horas de ponta da manhã e da tarde, dado que são os períodos do dia em que existem mais comboios a circular, logo as necessidades de material circulante são superiores”. Mas não informa sobre o que acontecerá a curto prazo e quando a normalidade será restabelecida, limitando-se segundo a Lusa, a afirmar que “a CP e a EMEF estão a trabalhar para que, no mais breve espaço de tempo possível, sejam repostos os níveis de disponibilidade do material circulante, o que deverá ocorrer nos próximos dias”.
Apesar de, desta feita, terem sido mais concentrados, os cortes de comboios nesta linha são tudo menos inéditos. A linha de Sintra tem assistido frequentemente a supressões e atrasos há muito tempo sem que estes cheguem aos noticiários. O Bloco está atento ao assunto e tem tomado posição sobre a questão frequentemente. A concelhia de
Sintra do partido lembra que, por exemplo, “tem levado o assunto com regularidade à Assembleia Municipal de Sintra, exigindo à autarquia maior pressão sobre as entidades responsáveis.”
O Bloco de Sintra vinca que esta linha “é determinante para a economia do concelho e do país, o seu bom funcionamento é fundamental para garantir o direito à mobilidade e sustentabilidade ambiental” e, por isso, reitera a sua preocupação “com a degradação dos serviços na linha de Sintra, problema que não é de agora mas está a enfrentar um agravamento e que representa transtornos para a vida das pessoas e riscos para a sua segurança”.
Por exemplo em julho de 2018, o deputado municipal André Beja, em declaração política na Assembleia Municipal já tinha denunciado a degradação do serviço na linha de Sintra afirmando que “as carências por trás desta política de redução de oferta, que mais se assemelha a uma política de terra queimada, não resultam de situações pontuais mas sim, como vimos dizendo com insistência, de décadas de desinvestimento nas infraestruturas e material circulante, bem como do desinvestimento na força de trabalho, com precarização crescente e redução dos meios humanos disponíveis.”
Por sua vez, a FECTRANS, Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, tomou posição sobre estas supressões realçando que “é preciso contratar trabalhadores”. Em comunicado, a federação sindical considera que “os
problemas estruturais destas empresas” são causados “em grande parte” pela falta de trabalhadores: “na CP e na EMEF faltam trabalhadores, que tem como consequência a falta de material circulante ou a falta de trabalhadores para guarnecer os comboios”.
A FECTRANS prevê que, com o verão, “a situação agravar-se-á”. E questiona: “será que querem criar as condições para justificar a retomada dos projectos privatizadores destas empresas, de modo a que sejam socializados os custos e privatizados os resultados positivos?