Super Bock impõe aumentos salariais de 1,5% arbitrariamente

04 de September 2021 - 22:36

Sindicatos da Super Bock denunciam que a administração decidiu aplicar aumento “fora do âmbito da negociação” e abaixo até da última proposta que fez na negociação.

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Sindicatos da Super Bock denunciam que a administração decidiu aplicar aumento abaixo da última proposta que fez na negociação - Foto de Mathieu Thouseau/Flickr
Sindicatos da Super Bock denunciam que a administração decidiu aplicar aumento abaixo da última proposta que fez na negociação - Foto de Mathieu Thouseau/Flickr

A Comissão Negociadora Sindical (CNS) da Super Bock divulgou um comunicado, nesta sexta-feira 3 de setembro, em que dá conta que a administração da empresa impôs um aumento salarial arbitrário de 1,5%, sem negociar e cujo valor é até inferior à última proposta feita pela administração.

“Foi com grande surpresa que os sindicatos tomaram conhecimento da comunicação remetida pela Administração da Super Bock aos seus trabalhadores, dando conta da decisão em aplicar um aumento salarial fora do âmbito da negociação”, refere o comunicado, segundo a Lusa.

A CNS afirma também que “a atribuição arbitrária de um aumento salarial de 1,5%, apesar de a empresa, de forma ardilosa e enganadora, o identificar como equivalente à sua última proposta rejeitada pelos trabalhadores (e não pelos sindicatos), representa um valor absoluto muito abaixo dos 25 euros e 25 dias de férias em que assentava, de facto, essa última proposta”.

A empresa (Super Bock Group) disse à Lusa que lamenta o “insucesso negocial”, acusa os sindicatos de provocarem “prejuízos para a empresa” com os processos a que supostamente “recorreram” e que “decidiu aplicar o montante equivalente” à última proposta que fez.

No comunicado, a CNS refere que “os sindicatos que constituem a Comissão Negociadora Sindical enviaram, no passado dia 20 de agosto, um pedido de agendamento de reunião, dando conta da abertura para ajustamento de posições, a que a Super Bock não deu, até hoje, resposta”.

A Comissão afirma que “não faz qualquer sentido afirmar que a empresa teve uma ‘evolução muito concreta e significativa das suas posições negociais’ quando uma das suas propostas foi ‘zero’”.

“A empresa mantém uma estratégia de culpabilização dos sindicatos, em tom de diabolização dos seus representantes que, não sendo original, representa um claro ataque aos próprios trabalhadores, já que todas as ações de luta promovidas brotaram de decisões genuínas deles mesmos”, acusa a CNS, afirmando que “os trabalhadores saberão posicionar-se a preceito na defesa dos seus direitos e no reforço dos seus salários”.

Os trabalhadores da Super Bock já fizeram quatro paralisações desde dezembro, a mais recente das quais foi entre 5 e 10 de agosto, com paragens parciais em todos os turnos.

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