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Suíça vai banir véus islâmicos

Por uma margem mínima a proposta da extrema-direita venceu o referendo. O coletivo feminista islâmico Les Foulards Violets considera que é um ataque à comunidade “destinado a estigmatizar e marginalizar as muçulmanas ainda mais”.
Manifestantes do grupo Les Foulards Violets em 2019. Foto da sua página.
Manifestantes do grupo Les Foulards Violets em 2019. Foto da sua página.

As projeções sobre o referendo deste domingo na Suíça apontam para uma vitória apertada da proposta de banir “coberturas faciais” em público com entre 51% a 52% dos votos expressos.

O referendo tinha sido convocado por proposta do Egerkingen Committee, uma associação com ligações ao SVP, Partido do Povo Suíço de extrema-direita e, sem nunca o referir diretamente, tinha como alvo os diversos tipos de véus islâmicos. A proposta tinha sido apresentada antes da pandemia generalizar o uso de máscaras. Mas nela já se excluía o uso de máscaras e outras coberturas faciais por razões se segurança ou saúde. Argumentava-se ainda que esta proposta iria proibir que grupo de manifestantes violentos pudessem esconder a face.

Este mesmo grupo tinha já em 2009 conseguido levar a referendo a proibição de construção de novos minaretes, ou seja as torres dos locais de culto islâmico, tendo esta proposta de emenda à constituição vencido com 57,5% dos votos.

A principal figura do lado da proposta vencedora, Walter Wobmann, dirigente e deputado do SVP, justificava-a com “a tradição” do país que é “mostrar a sua cara” que é “um sinal das nossas liberdades básicas”. Os véus seriam “um símbolo do Islão político, extremista, que se tem tornado cada vez mais proeminente na Europa e que não tem lugar na Suíça”. Em dois dos cantões do país, Ticino e St Gallen, esta medida já estava em vigor.

Do lado contrário, encontravam-se desde organizações dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional que caracterizava a proposta como “uma política perigosa que viola os direitos das mulheres, incluindo a liberdade de expressão e de religião” e o governo que tinha defendido que não deve ser o Estado a ditar o que as mulheres podem vestir. O governo propunha que se incluísse na lei, em vez disso, uma obrigatoriedade de mostrar a cara quando as autoridades assim o exigissem.

A BBC cita o Conselho Central de Muçulmanos da Suíça que considerou este “um dia negro” para os muçulmanos que vivem no país que “abre feridas, aumenta o princípio de desigualdade legal e envia um sinal claro de exclusão da minoria muçulmana”.

O coletivo feminista islâmico Les Foulards Violets também criticou a proposta que considera um ataque à comunidade, “destinado a estigmatizar e marginalizar as muçulmanas ainda mais”, disse Ines Al Shikh citada pelo Guardian.

Os muçulmanos são uma minoria de cerca de 5% de pessoas oriundas de países como a Turquia, a Bósnia e o Kosovo. Segundo a Universidade de Lucerna, os casos de mulheres que usam os tipos de véu que menos mostram são muito poucos. Não haverá casos de mulheres que usem burqa e, em todo o país, apenas entre 21 a 37 mulheres usam o niqab, um tipo de véu que apenas mostra a zona dos olhos.

Na França, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Holanda e Áustria também vigora este tipo de proibição.

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