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Subida dos preços de gás de garrafa ultrapassa mercados internacionais

Entre janeiro e dezembro deste ano, o preço por quilo de gás butano engarrafado em Portugal aumentou 31,3 cêntimos e gás propano 34,3 cêntimos, uma subida superior à dos mercados internacionais no mesmo período.
No início de 2021, o preço do quilo de gás butano situava-se nos 1,930 euros, menos 31,3 cêntimos por quilo face ao preço atual.
No início de 2021, o preço do quilo de gás butano situava-se nos 1,930 euros, menos 31,3 cêntimos por quilo face ao preço atual. Foto de Agência Brasília, Flickr.

O preço de gás butano em garrafa atingiu novos máximos históricos desde que o regulador acompanha diariamente a fluturação de preço do gás engarrafado. Em outubro, uma botija de gás propano era vendida a 27,97 euros, e 27,74 euros no caso de gás butano, mais 4 e 3 cêntimos respetivamente do que em setembro.

A 3 de dezembro, o gás butano em garrafa era vendido numa média nacional de 2,243 euros por quilograma, e o gás propoano atingiu no mesmo dia os 2,663 euros, antes de impostos.

O impacto para as famílias é estrutural ao país, uma vez que dois terços dos agregados familiares utilizam gás engarrafado, butano ou propano. Mesmo nas zonas com rede de gás natural, o gás engarrafado "continua a ser frequente para o aquecimento doméstico", relembra a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.

“O atual nível de preços do petróleo está a refletir-se no preço final do gás engarrafado. (...) Está cada vez mais em causa a acessibilidade económica para um bem essencial, o que é de facto preocupante”, explica Pedro Silva, da Deco Proteste, em declarações ao Expresso.

Para comparação, no início de 2021, o preço do quilo de gás butano situava-se nos 1,930 euros, menos 31,3 cêntimos por quilo face ao preço atual, o que representa uma subida superior à que se verificou nos mercados internacionais, onde o preço de referência aumentou 29,6 cêntimos no mesmo período.

Por seu lado, o preço do gás propano por quilo subiu 34,3 cêntimos desde janeiro, quando o preço dos mercados internacionais subiu apenas 20 cêntimos.

As explicações para esta disparidade explicam-se pela ausência de intervenção do Estado com políticas públicas, pela incapacidade do regulador em fazer qualquer intervenção contra as margens excessivas dos distribuidores e, segundo o regulador, pelo "elevado nível de concentração" do mercado, dominado em 85% pela Galp, Rubis ou Repsol com várias integrações verticais e outras alianças empresariais.

“Esta configuração do mercado culmina com a prática de margens de comercialização elevadas, as quais se revelaram particularmente altas e sem fatores estruturais que o justifiquem, no contexto de fragilidades socioeconómicas decorrentes do estado de emergência decretado” em 2020, concluiu o regulador.

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