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Subida do salário médio deve-se à queda no emprego em setores mal pagos

A média salarial cresceu no privado, mas à custa da destruição de empregos em setores como o da restauração. No público, a média estagnou por causa das progressões das carreiras e porque o emprego criado tem salários baixos.
Comércio fechado. Foto de Paulete Matos.
Comércio fechado. Foto de Paulete Matos.

A notícia de que o salário médio do país cresceu durante a pandemia tem um senão. Esse aumento foi devido à queda dos empregos com menor remuneração.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em março, tinha havido um crescimento homólogo do salário médio bruto do país em 3,1%. Um ritmo de crescimento que diminuiu relativamente ao trimestre anterior: em dezembro, esse indicador cresceu 3,9%. Isto quer dizer que o salário médio bruto passou a saldar-se em março, em 1.227 euros. Em média, o salário-base em Portugal é  de 1.041 euros.

Este aumento foi feito à custa de uma perda de emprego. No mesmo período, o número de salários caiu, no total, 2,5%, sendo as áreas do alojamento, restauração, atividades administrativas e serviços de apoio as mais prejudicadas. Correspondentemente, é nos setores com mais cortes de emprego que os salários mais sobem. Nas atividades administrativas e serviços de apoio, houve menos 6,9% de salários pagos e os salários médios sem subsídios cresceram 6,3%, para 724 euros, com subsídios o valor do crescimento é de 5%, 860 euros. Na restauração e hotéis, o crescimento do salário médio bruto sem subsídios foi de 5,6%, 745 euros, contabilizando estes o crescimento é de 3,5%, 815 euros, num setor que pagou menos 17,5% de salários.

Noutros setores, houve menos cortes. Na indústria, passou a haver menos 3.8% de empregos e a média salarial total cresceu 3,5%. No comércio, pagaram-se menos 2,6% de salários e a média salarial cresceu apenas 1,4%.

Mais trabalho público, não necessariamente melhor pago

Os dados do INE permitem ainda contrastar estas situações com o setor público. Ao contrário do crescimento salarial privado, os salários dos trabalhadores do Estado cresceram ao ritmo mais lento desde 2018, 0,7%. A média do salário bruto com subsídios foi de 1.641 euros em março.

Parte da explicação está nas progressões na carreira. O descongelamento fez-se sentir sobretudo nos dois anos anteriores e a progressão prevista no Orçamento de Estado para 2021 é menos de metade da ocorrida em cada um dos anos de 2019 e 2020. Nesses anos, os salários totais brutos cresceram acima dos 2%.

Também em tendência diferenciada do privado, houve um aumento de trabalhadores no setor público. Desta forma, a proporção de trabalhadores do público cresceu para 17,9% do total, mais cinco décimas do que se registava em igual período de 2020. Em março de 2021, estes passaram a ser mais, 2,6%, 729,2 mil, do que no ano anterior.

O baixo ritmo de crescimento salarial médio na Função Pública explicar-se-á ainda com a entrada de trabalhadores que ganham salários abaixo da média, por exemplo na saúde.

Os dados compilados pelo INE são relativos aos salários de mais de quatro milhões de trabalhadores através das informações da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações.

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