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Stonewall: Polícia pede desculpa por rusgas violentas há 50 anos contra movimento LGBTQI

Nesta quinta-feira, pela primeira vez em cinquenta anos, um responsável pela polícia de Nova Iorque pediu desculpa pelos atos de violência policial na base da revolta ocorrida em Stonewall. O comissário da polícia de Nova Iorque descreveu a intervenção policial como discriminatória e opressiva.
Cartaz colocado à porta do bar Stonewall Inn. 2016. Foto de Rhodendrites/Flickr

O antigo comissário da polícia de Nova Iorque tinha insistido em não pedir desculpas. Quando questionado sobre o assunto, há três anos atrás, disse que as rusgas tinham sido uma “experiência terrível”, mas recusara qualquer pedido de desculpas considerando que não seria necessário”, porque a “desculpa é tudo o que ocorreu desde então”.

Uma atitude que contrastava já então com a dos polícias diretamente envolvidos no caso. Seymour Pine, o inspetor de polícia que tinha liderado as operações, tinha pedido publicamente desculpa pela sua responsabilidade na repressão contra a comunidade LGBTQI em 2004 quando já estava na reforma.

Agora foi a primeira vez que um responsável máximo em funções pela polícia nova-iorquina e em declarações oficiais resolveu assumir o caráter discriminatório dessas ações policiais. O comissário James O’Neill declarou numa conferência de imprensa sobre a segurança dos eventos do Pride 2019, perante ativistas dos direitos sexuais, que “o que aconteceu não devia ter acontecido”. Acrescentou ainda que “as ações tomadas pelo Departamento de Polícia de Nova Iorque estavam pura e simplesmente erradas. As ações e leis era discriminatórias e opressivas e por isso peço desculpa”.

Estas declarações foram saudadas por vários ativistas do movimento que exigiam há vários anos um pedido de desculpas. Outros foram mais cautelosos quanto à atitude dos responsáveis policiais. Por exemplo, Richard Saenz, advogado da associação de direitos civis Lambda Legal, declarou ao jornal The New York Times que “a história da violência policial e criminalização de pessoas LBGTQ continua tristemente até ao presente.”

Estas declarações juntam-se à decisão recente do mayor de Nova Iorque, Bill de Blasio, de homenagear com a construção de um monumento Marsha P. Johnsonv e Sylvia Rivera duas das ativistas que resistiram à violência policial em Stonewall.

Na madrugada de 28 de junho de 1969, uma rusga policial, como tantas outras, ocorreu num bar, o Stonewall Inn, em Greenwich Village, em que a comunidade LGBTQI costumava conviver. Porém, dessa vez a intervenção policial encontrou resistência. Nas ruas, o movimento LGBTQI enfrentou a violência policial numa mobilização que inspirou várias outras. Nos Estados Unidos, como no resto do mundo. A partir daí, a celebração da resistência de há 50 anos tornou-se marcha do orgulho.

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