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Stiglitz diz que “era melhor” que a Alemanha saísse do euro

O economista afirma que com as regras “tão rígidas” da zona euro, o crescimento não é possível e acusa a Alemanha de ser a “fonte” dos problemas.
Joseph Stiglitz – Foto de Asia Society/flickr
Joseph Stiglitz – Foto de Asia Society/flickr

Joseph Stiglitz, economista e prémio Nobel da Economia em 2001, esteve em Paris no lançamento do seu mais recente livro, "O Euro - Como uma moeda única ameaça o futuro da Europa", e deu uma entrevista ao jornal Le Parisien, que a publicou nesta terça-feira, 11 de outubro.

Nessa entrevista, Stiglitz considera que os dirigentes europeus “puseram o carro à frente dos bois”, afirmando que “quiseram criar uma moeda única antes de criar as instituições necessárias ao seu funcionamento, como um sistema bancário unificado”.

O prémio Nobel diz que a economia de Portugal, Espanha, Itália ou Grécia tiveram um choque “violento” com a crise financeira de 2008, mas “o euro tornou as coisas mais difíceis impedindo a Europa de adotar uma boa reação”.

“Os constrangimentos da zona euro são muitos fortes”, diz Stiglitz, sublinhando que “com regras tão rígidas” o crescimento não pode desenvolver-se.

Questionado sobre um sistema mais flexível, o economista defende que “é preciso criar duas zonas euro, funcionando a níveis diferentes”: uma para os países do Norte e outra para os do Sul, incluindo a França. “A moeda é um meio e não um fim em si. Frequentemente, as pessoas reivindicam uma moeda forte, como se fosse uma bandeira. É um erro”, afirma também o economista.

A Alemanha é a fonte do problema

“A Alemanha mantém a sua supremacia em detrimento de todos os outros países. É essa a fonte do problema”, destaca Stiglitz, defendendo que a “melhor coisa” seria que a Alemanha saísse do euro, o que “tornaria a moeda única muito mais competitiva”.

Joseph Stiglitz diz que a Alemanha levanta duas ideias: a de que a austeridade traz crescimento, “é exatamente o contrário” diz o economista, e que não deve haver na Europa um país que ajude os outros. “Este país é muito egoísta”, critica o prémio Nobel.

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