You are here

Stiglitz: “Custa mais a Portugal ficar do que sair do euro”

Em entrevista à Antena 1, o Nobel da Economia defende um “divórcio amigável” por parte de alguns países do euro, entre os quais Portugal. Se continuar na moeda única, o nosso país “está condenado”, prevê o economista.
Joseph Stiglitz. Foto Unido/Flickr

“Acho que a Europa, como um todo, devia começar a pensar num divórcio amigável com alguns países, para estes pensarem em formas para lidar com a saída. Não será um processo imune a dificuldades (…). Custa mais a Portugal ficar do que sair do euro”, afirmou Joseph Stiglitz à Antena 1, numa entrevista em que faz um balanço negativo da resposta europeia à crise: “Os benefícios da Alemanha têm sido em parte a custo dos países do Sul europeu”, defende.

O economista que foi galardoado com o Prémio Nobel em 2001 acredita que a Europa “não tem, nem vai ter condições políticas para fazer as mudanças necessárias”, pelo que, a manter-se na moeda única, Portugal “está condenado”.

A manutenção de Portugal na moeda única significa a submissão à receita alemã da austeridade, que irá continuar “mesmo que a teoria económica e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) demonstrem, claramente, que a austeridade nunca irá funcionar”, acrescenta o economista. Por isso, conclui que “cada vez é mais claro que ficar é mais custoso do que sair” do euro e “se reconhecermos o custo de continuar neste pântano, o risco de uma saída de Portugal do euro pode ser mais baixo do que ficar”.

Uma saída negociada com base num “divórcio amigável” permitiria à economia portuguesa “crescer, criar emprego e um processo de restruturação da dívida”. Um caminho que, “apesar de ser duro”, daria os seus frutos, já que após a “dívida estruturada, a moeda cresceria”, assegura Joseph Stiglitz.

O economista alerta ainda para os riscos da política europeia. “É a política perto do precipício, saltando de uma crise para outra. No último minuto faz o mínimo necessário para sair dessa crise. A dificuldade desta política do precipício é que há a probabilidade de caírem do precipício”, acrescenta o economista, para quem “é muito claro que o BCE não vai conseguir resolver estes problemas sozinho”. Para mais, o programa de compra de dívida de empresas por parte do BCE vai aumentar a desigualdade entre as economias. “O que acontece é que as empresas alemãs vão beneficiar com as compras do BCE, mas as de Portugal não vão ter esse benefício. Resumindo: as empresas alemãs vão beneficiar, as portuguesas não”, defende o economista.  

Termos relacionados Política
Comentários (2)