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SOS Racismo denuncia ataques racistas e xenófobos contra comunidade cigana em Moura

“Perante a inoperância das autoridades (quer policiais, quer políticas), a comunidade cigana de Stº Aleixo da Restauração, desde o fim do Verão, está a ser vítima de situações que mais lembram a atuação do Ku Klux Klan de meados do séc. passado”, alerta a ONG.

Em causa estão “ameaças de morte pintadas por toda a povoação nos últimos dias, bombas lançadas para os quintais das casas da comunidade cigana, que dão credibilidade às próprias ameaças”.

Esta não é a primeira vez que a comunidade cigana é vítima de tal perseguição. Os ataques começaram no final do Verão passado: colocaram caixões à porta das habitações, envenenaram um cavalo desta comunidade, incendiaram a igreja, bem como algumas casas e carros. Mas “a sanha incendiária racista e xenófoba parou com as deslocações, com as visitas que o SOS Racismo foi fazendo”.

Agora, a violência intensificou-se.

“Perante a inoperância das autoridades (quer policiais, quer políticas), a comunidade cigana de Stº Aleixo da Restauração, desde o fim do Verão, está a ser vítimas de situações que mais lembram a atuação do Ku Klux Klan de meados do séc. passado”, denuncia o SOS Racismo em comunicado.

A organização não-governamental lembra que “algumas destas situações já vieram a lume (Jornal Tornado e Público, no final do ano). Inclusive uma cadeia de televisão esteve a acompanhar uma visita do SOS Racismo que a chamou para tentar alertar a situação (acabou por nada fazer). Alguns responsáveis políticos já por lá passaram (Alto Comissário) sem se dignar a falar com as vítimas destes atos de pura barbárie cujo objetivo é causar o medo, tentar que abandonem a aldeia, ou mesmo expulsar a comunidade cigana da zona”.

Segundo o SOS Racismo, “estas situações, agravadas com a atuação intimidatória da GNR, têm, de facto, levado a que algumas pessoas estejam a dormir fora da povoação, nomeadamente uma, que é invisual, pois uma das casas incendiadas foi a sua”.

“O SOS Racismo, que já tinha tomado conhecimento de algumas destas situações, ficou à espera que as autoridades atuassem, tendo em conta que eram do conhecimento das instituições”, lê-se no documento.

“As ameaças que aparecem escritas um pouco por toda a povoação, cemitério incluído, são reforçadas pelo rebentamento de bombas nos quintais dos elementos da comunidade cigana, talvez encorajados pela ausência de medidas das instituições, pela inoperância das autoridades policiais, pela impunidade das práticas racistas e xenófobas. E isto, apesar de o presidente da Câmara ter afirmado que o assunto se estava a resolver com o reforço do policiamento…”, lamenta a ONG.

O SOS Racismo frisa que “as autoridades não podem continuar a olhar para o lado sem fazer nada, contribuindo para agravar o risco em que a comunidade cigana se encontra”.

“Basta ver as fotografias para perceber o terror que se quer instalar nesta comunidade. E criminosos não são apenas aqueles que estão tranquilamente a praticar estes atos hediondos”, sublinha a organização, referindo que “compete ao estado de direito, defender que todas as pessoas se sintam seguras na sua terra, nas suas casas”.

“A população cigana está em risco, a viver momentos de terror. A inoperância não pode persistir. É altura de o governo, o Alto Comissário tomar medidas para que nada de grave venha a acontecer. É altura destes crimes serem punidos”, remata o SOS Racismo.

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