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Soldados turcos mortos em ataque aéreo na Síria

As forças do regime de Assad continuam a ofensiva sobre Idlib, apoiadas pelos bombardeamentos russos. Do outro lado, resiste-se com o apoio da artilharia turca e ensaiou-se uma contra-ofensiva. Há 900 mil refugiados e pelo menos 300 civis mortos.
Coluna militar turca em Idlib na Síria. Fevereiro de 2020. Foto de LUSA/EPA/YAHYA NEMAH.
Coluna militar turca em Idlib na Síria. Fevereiro de 2020. Foto de LUSA/EPA/YAHYA NEMAH.

Segundo comunicou esta quinta-feira o ministério da Defesa turco, dois soldados deste país foram mortos e cinco outros ficaram feridos na sequência de um ataque aéreo em Idlib na Síria. Assim, ao todo, foram já mortos 15 soldados turcos durante a atual ofensiva. A mesma fonte diz que foram mortos 50 soldados das forças governamentais sírias e destruídos cinco tanques, entre outro material de guerra.

O lado russo contrapõe explicando que a tentativa de contra-ofensiva em Nairab feriu apenas cinco soldados sírios, rompendo temporariamente as linhas governamentais que depois se recompuseram devido aos ataques dos seus bombardeiros Su-24. Ambos os lados foram, nestas declarações oficiais, cuidadosos o suficiente para não culpar a outra potência pelas mortes ocorridas.

A Turquia apoia alguns dos grupos rebeldes ainda atuantes na zona de Idlib enquanto que os ataques das forças aéreas russas tem sido fundamental para o avanço rápido das forças leais ao governo do presidente Assad. As duas potências encontraram-se em conversações para tentar resolver o conflito mas estas falharam.

A presença de soldados turcos no estado vizinho da Síria excede agora o que tinha sido acordado aquando do acordo de cessar-fogo que travou o ataque de Assad às forças curdas. Nas últimas semanas, a Turquia tem enviado milhares de militares para a Síria e ameaçado um envolvimento ainda mais direto na guerra. Na quarta-feira, Erdogan, o presidente turco, voltou a repetir estas ameaças, tendo declarado: “estes são os nossos avisos finais”.

A ofensiva governamental causou, pelo menos, 300 mortos entre os civis e à volta de 900 mil a um milhão de refugiados que se dirigiram às fronteiras turcas onde foram barrados. O comissariado das Nações Unidas para os Refugiados apela a um cessar-fogo que permite que as populações saiam das zonas sob ataque e cheguem a zonas seguras. Desde o início da guerra há nove anos, esta é a maior deslocação de pessoas.

O governo tomou controlo, pela primeira vez desde o início da guerra, de grande parte da província de Idlib e da totalidade os 450 quilómetros da auto-estrada M5, a via de comunicação mais importante na ligação entre a capital Damasco e o coração económico do país em Aleppo. Simbolicamente, também o aeroporto de Aleppo fez, pela primeira vez em nove anos, uma ligação entre esta cidade e a capital do país.

Os resultados da ofensiva fazem Assad acreditar que está muito perto da vitória total. Apenas a Turquia parece estar em posição de o impedir.

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