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Soflusa suprime barcos e diz que não sabe quando vai repor

Soflusa suprime carreiras noturnas entre Barreiro e Lisboa e diz que “não pode prever” reposição, por falta de autorização do Governo para contratar trabalhadores. Sindicato salienta que caos não é por “constrangimentos laborais”. Bloco já propôs contrato de serviço público.

Presidente da Câmara do Barreiro, Frederico Rosa, eleito pelo PS, também criticou a situação, declarando: “acho que ninguém percebe que existam barcos e não existam mestres para os conduzir”. O autarca afirmou que é “imperioso” que a Soflusa contrate mestres.

Suprimidos 24 barcos durante a noite, em cinco dias

Entre a passada sexta-feira, 10 de maio, e esta terça-feira, 14 de maio, foram suprimidas 24 carreiras noturnas entre Barreiro e Lisboa.

A Soflusa anunciou entretanto novas supressões para os próximos dias, apontando a causa dever-se a “constrangimentos laborais”. Assim, entre Barreiro e Lisboa vão ser cortadas as carreiras das 0h30, 0h55, 1h30, 1h45 e 5h20 quarta e sexta-feira e das 0h05, 0h30, 5h20 e 5h50 na quinta-feira e, entre Lisboa e Barreiro serão suprimidas as carreiras das 0h, 1h30, 1h20, 2h10 e 5h50, na quarta e sexta-feira, e das 0h30 e 5h50 na quinta-feira.

A situação é ainda agravada porque, segundo a empresa citada pela Lusa, “por motivos de segurança, o navio inicia viagem logo que é alcançada a lotação máxima de passageiros embarcados, independentemente do horário previsto”, podendo haver atrasos e haver carreiras que sejam realizadas fora dos horários em vigor.

Soflusa aguarda autorização do Governo para contratar trabalhadores

Questionada pela agência Lusa, a administração da empresa respondeu por escrito que “dada a escassez de tripulantes habilitados a exercer a função de mestre, ainda que existam esforços da empresa e um diálogo permanente com a comissão de trabalhadores e sindicatos, não pode prever a reposição da normalidade operacional”.

A empresa diz que os cortes no horário noturno “resultam do agravamento das limitações de recursos humanos na empresa”, refere que existem 24 mestres para “assegurar a totalidade dos horários comerciais” e que os mestres estão em greve às horas extraordinárias, depois do pré-aviso de greve do Sindicato dos Transportes Fluviais Costeiros e da Marinha Mercante (STFCMM), a qual se prolonga até 31 de dezembro deste ano. A Soflusa declara ainda que “aguarda, a todo o momento, autorização para a contratação” de mais trabalhadores.

Segundo a Rádio Renascença, a Soflusa criou mais algumas carreiras para responder à entrada em vigor dos novos passes, pelo que a falta de trabalhadores se agravou mais. A administração revelou à RR que está á espera de autorização do ministério do Ambiente e do ministério das Finanças para contratar: doze trabalhadores marítimos (marinheiros e maquinistas práticos de 1ª classe) e três para as bilheteiras e abriu concurso interno para mestres (o acesso a mestre faz-se através da carreira de marinheiro).

Sindicato diz que situação caótica não se deve a constrangimentos laborais

Em comunicado divulgado pela Fectrans, o sindicato dos Fluviais (STFCMM) diz que a situação se deve a falta de trabalhadores e a desinvestimentos.

“Nos últimos 5 anos, saíram para a reforma vários trabalhadores, principalmente Mestres e Marinheiros, sem qualquer substituição. No ano passado foram efetuadas 4000 horas extraordinárias por estes profissionais que levou a uma exaustão física e psicológica”, aponta o sindicato, sublinhando que “as admissões não chegam para as saídas”.

“Os acontecimentos ocorridos não podem ser imputados aos trabalhadores, que nos últimos anos têm tido brio e dedicação profissional, não deixando de cumprir as suas obrigações, muitas vezes em detrimento do seu descanso, bem como do acompanhamento familiar” realça o sindicato, frisando que em 2018 houve 4.000 horas extraordinárias.

Bloco defende contrato de serviço público

O Bloco de Esquerda apontou, em janeiro passado, que as dificuldades no transporte fluvial no Tejo se devem a falta de financiamento e à inexistência de um contrato de serviço público, tendo apresentando um projeto de resolução à Assembleia da República.

Projeto de resolução do Bloco de Esquerda, que recomenda a assinatura de contrato de prestação de serviço público de transportes com a Transtejo/Soflusa e a aprovação de um plano plurianual de investimentos 2019- 2022

O grupo parlamentar do Bloco sublinhou então que o contrato de serviço público de transportes entre Transtejo e Soflusa e o Estado português caducou em 2014, pelo que as dificuldades se agravaram e o serviço se deteriorou.

“A empresa sobrevive capturada por uma lógica empresarial absurda de completa dependência de meios, sujeita a autorização prévia casuística dos principais gastos de gestão por parte do Ministério das Finanças”, criticou então o Bloco, que propôs que o parlamento recomendasse ao Governo:

  • a assinatura do contrato de Prestação de Serviço Público de Transportes com a Transtejo/Soflusa no prazo de 30 dias;
  • a abertura do concurso público para a aquisição das novas embarcações até final do 1º trimestre de 2019;
  • a aprovação, no prazo de 90 dias, de um Plano Plurianual de Investimentos para o período 2019-2022 que inclua a renovação e modernização da frota, a aquisição de novas embarcações, a admissão de recursos humanos e a requalificação dos cais e pontões de acesso.

Aceda à intervenção do deputado Heitor de Sousa na Assembleia da República a 10 de abril, em que apresentou o projeto de resolução bloquista:

Heitor de Sousa: "Exige-se qualidade e eficiência no serviço público de transportes"

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