Sobre a Catalunha: “Constituição portuguesa exige respeito pela autodeterminação dos povos”

28 de October 2017 - 17:56

Catarina Martins declarou, neste sábado, que, independentemente do que se pense sobre a Catalunha, “a Constituição da República Portuguesa põe como exigência da nossa política externa o respeito pela autodeterminação dos povos”.

PARTILHAR
Catarina Martins afirmou que, em relação à Catalunha, “era aconselhável que o Governo e todas as instituições” tivessem em conta o princípio “constitucionalmente consagrado” - Foto de Paulete Matos
Catarina Martins afirmou que, em relação à Catalunha, “era aconselhável que o Governo e todas as instituições” tivessem em conta o princípio “constitucionalmente consagrado” - Foto de Paulete Matos

Catarina Martins visitou neste sábado, 28 de outubro de 2017, as áreas ardidas no concelho de Vouzela, acompanhada pelo deputado Pedro Soares. À margem da vista, a coordenadora do Bloco foi questionada sobre a Catalunha, pela comunicação social.

“Julgo que independentemente da posição que tenhamos sobre a Catalunha, ninguém pode achar que esta questão está a ser gerida da melhor forma e acho que Portugal tem algumas obrigações de cautela sobre a forma como lida com este problema”, começou por apontar a coordenadora do Bloco de Esquerda, lembrando que “a Constituição da República Portuguesa põe, como exigência da nossa política externa, o respeito pela autodeterminação dos povos”.

“Era aconselhável que o Governo e todas as instituições tivessem este princípio, que está constitucionalmente consagrado e consagrado no que diz respeito à nossa política externa, nas apreciações que são feitas sobre a realidade”, sublinhou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista criticou o governo espanhol que “tem agido da pior forma”, salientando que “a repressão nunca pode ser a solução”. “Tem de haver capacidade de negociação para se respeitar a autodeterminação do povo da Catalunha, que não é sequer uma novidade no âmbito da Europa”, afirmou.

“Já houve referendos sobre nações e sobre a sua autodeterminação e eu julgo que essa seria a única solução possível numa Europa que respeite direitos humanos, que respeite a democracia e que não faça da força e da repressão a forma de diálogo com a população”, apontou também.

A concluir, Catarina Martins afirmou criticamente que, “independentemente da posição que se tenha sobre a independência da Catalunha”, “está a faltar uma palavra sobre a necessidade de o Governo espanhol perceber que a repressão não é o caminho e que a democracia, a negociação e o respeito pela autodeterminação são essenciais”. Essa falta “contraria aquilo que são os princípios da nossa política externa expressos na Constituição da República Portuguesa”, criticou ainda a coordenadora bloquista.