You are here

“Só o crescimento da esquerda defende o trabalho e o salário”

Esta quinta-feira, num comício em Monte Gordo, Jorge Costa defendeu o acesso à energia enquanto “matéria de direitos humanos” e Catarina Martins afirmou que “as condições do trabalho têm de ser a grande conquista da próxima legislatura”.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

Jorge Costa, deputado do Bloco, começou por sublinhar que “Portugal é um dos países da Europa onde a eletricidade é mais cara” e “um dos países onde há mais pobreza energética”. Considerando a energia “matéria de direitos humanos”, considerou ainda "impressionante que possa ser privatizado e transformada num monopólio ao serviço de acumulação de riqueza por parte de alguns grupos económicos capitalistas.” “Essa acumulação”, defende o deputado, “não deve ser gerida a partir do objetivo do lucro quando oferecem um serviço universal”.

De acordo com o mesmo, este é um problema político, “o problema da influência, da promiscuidade”. “Quando olhamos para os conselhos de administração das grandes empresas energéticas”, afirmou, “vemos governantes que foram rodando naqueles lugares, fazendo dessas posições um privilégio de acumulação de riqueza”. É que, “além do privilégio da privatização, foram acrescentadas sempre novas formas de rendimento abusivo, rendas excessivas”, transformando-se “sempre o setor energético numa forma de dominação económica".

Devido a isto, o Bloco fez uma comissão de inquérito às rendas excessivas que são pagas às companhias elétricas. Chegou-se assim a uma conclusão: mil milhões de euros eram pagos em excesso e que deviam ser devolvidos aos consumidores. “As famílias têm estado a pagar a mais às elétricas e à EDP”, afirmou Jorge Costa, sublinhando que o valor a mais “deve ser reposto, baixando a tarifa”. “É para as pessoas que o Bloco quer trabalhar”, afirmou o deputado.

Prioridades do Bloco: emprego e salário

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, quis falar de “dois dos temas principais para o Bloco: emprego e salário”. “Quem falasse de aumento do salário mínimo nacional e descongelamento de pensões estava a falar de algo impossível”, lembrou Catarina. “Mas houve quem soubesse que era possível escolher, houve quem não se resignasse e lutasse por uma mudança, o que resultou numa mudança inédita no nosso país”, afirmou, lembrando o caminho que foi possível para que fosse aumentado o salário mínimo. “Foi com o voto que começou a mudança, mas foi também com a mobilização”, afirmou a coordenadora do Bloco.

Ao longo destes anos, o Bloco fez um programa para regularizar os precários da administração pública com esses precários, criou o estatuto de cuidador informal com os cuidadores informais, criou um regime de acesso à reforma para aquela geração que começou a trabalhar criança. “Fizemos esse caminho lado a lado com gente que fez acontecer”, afirmou Catarina.

Numa “área tão difícil em que têm sido tão difíceis os avanços, os direitos do trabalho”, o Bloco considera que há urgência: “as condições do trabalho têm de ser a grande conquista da próxima legislatura”.

Catarina Martins lembrou ainda que, há três anos, foram feitos compromissos para combater a precariedade, mas que “o governo fez acordo com patrões para mantê-la”. “Criaram uma legislação que permitiu novas formas de precariedade, alargaram o tempo de período experimental para seis meses”, denunciou. Isto “vai permitir a uma empresa ocupar o mesmo posto de trabalho com sucessivos jovens acabados de se formarem sem dar contrato a nenhum”, afirmou, perguntando-se como será possível em Portugal “ter os jovens a querer trabalhar se o que lhes é oferecido são estágios”.

A coordenadora do Bloco afirmou ainda que o “PS também recuou no banco de horas” e “contou com o PSD para aprovar legislação laboral e dizer que era impossível o combate à precariedade acordado antes com o Bloco”. Para si, “a única forma de recuperar o salários e o emprego é com uma legislação mais forte”.

Lembrando que António Saraiva, “patrão dos patrões”, disse que o país ficaria a ganhar se se libertasse da esquerda, a coordenadora do Bloco quer “responder por outro país”, “pelo país que trabalha e se esforça”. “Só o crescimento da esquerda defende o trabalho e o salário”, considera.

Catarina Martins afirmou ainda que “este povo que trabalha sabe que não é uma maioria absoluta que vai puxar pelo trabalho” e que “não há inevitabilidades”. “Haja coragem e teremos a força para fazer acontecer”, rematou.

Termos relacionados Política
(...)