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Só este ano já ardeu 10% do Pantanal

17 mil quilómetros quadrados de terra ardida e uma perda de biodiversidade ainda por avaliar assolam o Pantanal, a maior planície alagada contínua do mundo.
Incêndio na Baia Vermelha. Fonte IHP.
Incêndio na Baia Vermelha. Fonte IHP.

O Pantanal brasileiro vive uma situação inédita com os incêndios a terem consumido 10% do seu território apenas este ano. 90% destes fogos, dizem os especialistas, foram causados pelos seres humanos. E o dedo é apontado diretamente às queimadas.

O Pantanal é um bioma com cerca de 250 mil quilómetros quadrados no total, 140 mil no Brasil, ocupando parte dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Para além disso, ocupa ainda partes do Paraguai e da Bolívia. É considerado a maior planície alagada do mundo e é Património Natural Mundial e Reserva da Biosfera, tendo uma biodiversidade única.

Outros números ilustram claramente a situação. Nunca tinha havido tantos focos de incêndio na região desde o início da monitorização das queimadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em 1998. Até ao último dia 18 tinham sido 7.727, o que representa um aumento de 211% relativamente ao mesmo período de 2019.

O ano foi de seca e de temperaturas elevadas e várias zonas não ficaram alagadas. Para além das queimadas frequentes, há fatores de longo prazo que também contam nesta equação explosiva, como os efeitos do aumento da atividade agropecuária.

Um dos responsáveis pelo combate aos fogos no terreno, Adrison Aguilar, disse à Euronews que “a perda é muito grande. A fauna e a flora aqui foi muito prejudicada nesse período, causando aqui danos irreparáveis ao meio ambiente".

Neiva Guedes, investigadora e presidente do Instituto Arara Azul, exemplifica à Deutsche Welle uma das dimensões do problema: a zona envolvente do refúgio que abriga 20% das araras azuis do Pantanal continua a arder. Ardeu já 70% da fazenda onde fica este refúgio. A este jornal, a cientista afirma que haverá um grande impacto sobre a espécie: "ninhos com ovos e filhotes foram perdidos, há mortalidade por fumaça, calor, stresse dos pais”. E “a médio e longo prazo haverá falta de comida, de água. Aumenta a predação de juvenis e de adultos porque falta comida, há briga pelas cavidades".

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