You are here

“Só com mais Estado e mais direitos vai ser possível enfrentar e derrotar esta pandemia”

À saída da reunião no Infarmed, Moisés Ferreira defendeu que é preciso garantir a segurança dos trabalhadores, as condições de habitabilidade, apoiar quem perdeu rendimentos e reforçar o SNS com contratações permanentes e requisição dos privados.
O deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira fala aos jornalistas no final da XII Sessão de apresentação sobre a “Situação Epidemiológica da COVID-19 em Portugal”. Foto de António Cotrim, Lusa.

"Existem neste momento inúmeros concelhos no país com uma incidência superior a mil novos casos, nos últimos 14 dias, por 100 mil habitantes, o que é muito elevado", apontou Moisés Ferreira no final de uma reunião no Infarmed com especialistas em saúde pública.

"Claramente, perante esta situação, só pode haver uma conclusão: é de que são precisas mais medidas, e mais medidas que não apontem só no sentido da responsabilização individual e de acumular deveres em cima da população. São precisas mais medidas no sentido da responsabilidade do Estado e da criação de direitos também para fazer face à pandemia", defendeu.

“Acreditamos que só com mais Estado, e só com mais ação social e com a criação de direitos para a população vai ser possível enfrentar e derrotar esta pandemia”, acrescentou o deputado bloquista.

Moisés Ferreira salientou a importância de estas novas medidas irem ao encontro de três prioridades essenciais. Conforme é assinalado no estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, divulgado na reunião, “os contextos de trabalho e de habitação podem ser contextos de risco acrescido”. São por isso necessárias medidas concretas para estes contextos, afirmou o dirigente do Bloco. De acordo com Moisés Ferreira, é preciso acautelar as condições de trabalho e a proteção dos trabalhadores mais fragilizados, bem como as condições de habitabilidade, para que não existam situações de insalubridade e/ou sobrelotação que, inclusive, impeçam o cumprimento das regras sanitárias.

Por outro lado, é imperativo “garantir que o SNS não entre em rutura e responda a toda a gente”. Mais uma vez, é evidenciada a carência de profissionais que, para o deputado do Bloco, não se colmata com contratações precárias ou com a abertura de vagas que ficam por preencher. Moisés Ferreira alerta que é necessário avançar com contratações permanentes e com a requisição ao setor privado, seja de profissionais como de equipamentos, para que tenhamos capacidade de resposta para fazer face a esta crise.

Por último, “as medidas não podem ser somente no sentido da restrição de liberdades, de responsabilização individual, é preciso que haja mais direitos nesta pandemia”, frisou o deputado, acrescentando que é essencial apoiar os setores mais penalizados pela pandemia e as pessoas que têm vindo a perder rendimentos ao longo de todos estes meses.

Termos relacionados Sociedade
(...)