Afinal, o investimento no Serviço Nacional de Saúde compensa. Não só porque é um direito mas também do ponto de vista limitadamente económico. Tal poderia ser o resumo das conclusões do estudo divulgado esta terça-feira pela Nova Information Management School (NOVA-IMS), a escola de Gestão da Informação da Universidade Nova de Lisboa.
Os dados constantes do Índice de Saúde Sustentável desta instituição apresentam um retorno de 5,1 mil milhões do investimento no SNS para a economia em 2018. Teve-se em conta, sobretudo, que os cuidados de saúde diminuíram o absentismo e aumentaram a produtividade.
À Lusa, o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, assumiu que este “valor não pode deixar de nos impressionar, pois significa que cerca de metade do investimento anual do SNS é retornado para a economia no próprio ano só por via da participação dos cidadãos no mercado trabalho”.
Para os investigadores da NOVA-IMS, o investimento feito na saúde pública permitiu evitar que os trabalhadores faltassem ao trabalho em média 2,4 dias, poupando 894 milhões de euros. Em termos de produtividade, estes especialistas calcularam que o investimento público permitiu evitar a perda de 6,8 dias de trabalho, um ganho de 2,5 mil milhões.
Pedro Simões Coelho destaca, a propósito dos números do “índice de sustentabilidade” que criou, que a satisfação e confiança dos utentes no SNS aumentou e que a sua atividade aumentou 2,5%, sendo “a mais alta dos últimos quatro anos”.
Para o autor do estudo da NOVA-IMS, o SNS tem uma valoração positiva junto dos utentes de 67 pontos em 100 e a saúde dos portugueses é avaliada em 74,4 pontos, também na escala de zero a 100. A qualidade dos profissionais é de 78,3, sendo considerada “o principal ponto forte do sistema”. Nos aspetos mais críticos surgem a facilidade de acesso aos cuidados de saúde, com 59 pontos, e os tempos de espera com 54 pontos.
Ainda segundo este estudo, em 2018, baixou de 10,8 para 8,9 a percentagem de pessoas que declararam não conseguir comprar algum medicamento prescrito por falta de dinheiro e desceram de 900 mil para 503.749 o número de episódios de urgência que ficaram por fazer devido aos custos das taxas moderadoras.