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Snowden lança biografia para explicar divulgação de documentos secretos

Edward Snowden, analista de sistemas na origem da publicação de documentos secretos cruciais para compreender o sistema de vigilância mundial implantado pelos EUA, vai lançar esta terça-feira uma biografia para explicar as razões da fuga de informação que causou. Considera que a liberdade mundial estava ameaçada.
Manifestação de apoio a Snowden em Berlim. 2013.
Manifestação de apoio a Snowden em Berlim. 2013. Foto de Mike Herbst. Flickr.

Depois de ter enviado para alguns jornalistas, em 2013, vários documentos secretos que revelavam detalhes sobre os programas de vigilância global que os serviços secretos norte-americanos tinham montados com a conveniência de empresas de telecomunicações e vários governos, Edward Snowden tinha pedido a François Hollande asilo político em França. O ex-Presidente francês, pertencente ao Partido Socialista, negou na altura este pedido.

Snowden tem vivido desde então na Rússia de forma a evitar que seja preso pelos EUA sob a acusação de espionagem e divulgação de documentos secretos. Esta segunda-feira, em entrevista à rádio France Inter, Snowden reiterou o desejo de ir para França, afirmando que “claro que adoraria ver Macron lançar um convite”. Mas, vincou, que o centro do assunto “não é acerca da França, é acerca da Europa, é acerca do mundo e do sistema que temos. Proteger os denunciantes não é um ato hostil.” A questão tinha voltado a estar na ordem do dia depois deste fim de semana Nicole Belloubet, ministra francesa da Justiça, ter declarado à imprensa que, se dependesse dela, concederia asilo a Snowden.

O analista de sistemas informáticos foi entrevistado na sequência do lançamento, esta terça-feira das suas memórias que serão publicadas simultaneamente em 20 países. Permanente Record, publicado originalmente pela Metropolitan Books da Macmillan e pelas Editions du Seuil em França. Em Portugal, o livro terá o título “Vigilância Massiva, Registo Permanente” e será publicado pela Editorial Planeta.

No livro, promete contar a sua história de vida desde a infância até ao momento em que fugiu, primeiro para Hong Kong, na sequência de ter enviado ao The Guardian e ao The Washington Post os documentos secretos a que tinha acesso. Snowden, filho de uma secretária da National Security Agency, serviço secreto com o qual trabalhava, e de um funcionário da Guarda Costeira, promete aí a explicação detalhada das razões que o levaram a arriscar uma fuga de informação. Para Snowden, os serviços secretos do país “hackearam a constituição” e estavam a colocar a liberdade de toda a gente em risco.

A sua editora francesa emitiu um comunicado da Macmillan em que John Sargent, presidente da Macmillan escreve que “Edward J. Snowden decidiu com a idade de 29 anos sacrificar o seu futuro pessoal para o bem do seu país”. O editor considera que Snowden “mostrou assim uma imensa coragem, e, quer se queira ou não, é uma fabulosa história americana. Não há dúvida que o mundo está mais seguro e respeitoso devido ao que fez”.

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