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Situação no Iraque: MEMORANDO CONFIRMA DEGRADAÇÃO

memoUm memorando confidencial enviado pelo embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalizad, à secretária de Estado, Condoleeza Rice, confirma que, ao contrário do que as recentes visitas de Bush e Blair a Bagdad queriam fazer crer, a situação no Iraque está cada vez mais degradada. O memorando foi revelado pelo diário britânico The Independent.

O embaixador dá exemplos das pressões que sofrem os funcionários civis iraquianos que trabalham para as autoridades ocupantes, e do pavor de verem revelado publicamente para quem trabalham. Uma funcionária que foi fazer formação aos EUA disse à própria família que tinha ido à Jordânia. Outros iraquianos já chegaram a perguntar o que lhes aconteceria se os americanos fossem evacuados.
A situação de segurança é tão precária que os próprios guardas da “zona verde”, a sede do poder da ocupação, não são confiáveis, parecendo mais membros de milícias que forças de segurança. Raptos continuam a ocorrer no dia a dia, atingindo familiares dos funcionários iraquianos da “zona verde”. Por toda a parte, são as milícias que imperam nas ruas.

As condições de vida do dia-a-dia também teimam em não melhorar. No final de Maio, quando as temperaturas já chegavam a 46º, havia em Bagdad uma hora de fornecimento de electricidade para cada seis. Bairros inteiros do centro da capital chegavam a passar 24 horas sem luz. Mas o edifício onde mora um recém-nomeado membro do governo passou a ter energia eléctrica 24 horas por dia.

Num país que já foi um dos mais laicos do Médio Oriente, as pressões para que as mulheres cumpram a sharia, a lei corânica, não param de aumentar: funcionárias são ameaçadas caso não usem a abaya completa, deixem de falar por telemóvel e de conduzir automóveis.

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