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Síria: “Desenvolvimento humano, direitos e dignidade totalmente devastados”

Relatório do Syrian Centre for Policy Research destaca que cinco anos de guerra na Síria deixaram um “impacto catastrófico”: 470 mil mortos e 1,9 milhões de feridos, 45% da população deslocada, aumento de 85% da pobreza só em 2015.

A organização Syrian Centre for Policy Research refere no seu relatório, citado pelo The Guardian, que a riqueza nacional, as infraestruturas e instituições na Síria foram praticamente dizimadas pelo “impacto catastrófico” de perto de cinco anos de conflito.

No documento são contabilizadas 470 mil mortes. Destas, cerca de 400 mil resultaram diretamente da violência, enquanto 70 mil foram causadas pela ausência de serviços de saúde adequados, de medicamentos, especialmente para doenças crónicas, falta de comida, água potável, saneamento e condições de habitação.

Este número é bastante mais elevado face ao que foi avançado pelas Nações Unidas há 18 meses atrás (250 mil), altura em que deixou de recolher estatísticas.

“Usamos métodos de investigação muito rigorosos e estamos certos deste número”, afirmou Rabie Nasser, autor do relatório do SCPR, em declarações ao The Guardian.

“As mortes indiretas serão ainda mais elevadas no futuro, ainda que muitas organizações não governamentais e a ONU ignorem esse facto”, acrescentou, sublinhando que considera que a documentação da ONU e as suas estimativas “subestimaram as mortes devido à falta de acesso à informação durante a crise”.

Desde março de 2011, 11,5% da população foi morta ou ferida. O SCPR contabiliza 1,9 milhões de feridos. A esperança de vida diminuiu dos 70 para os 55 anos entre 2010 e 2015. A taxa de mortalidade por mil habitantes aumentou de 4.4 em 2010 para 10.9 em 2015.

Os prejuízos económicos globais são calculados em 255 mil milhões de dólares. Os preços ao consumidor aumentaram 53% no ano passado, sendo muito mais elevados “nas zonas de conflito e áreas sitiadas”, o que “aumenta as margens de lucro para os comerciantes de guerra que monopolizam os mercados dessas regiões". Cerca de 13,8 milhões sírios perderam a sua fonte de sustento. Cerca de 45% da população foi deslocada, 6.360.000 internamente e mais de 4 milhões no exterior. A pobreza aumentou 85% só em 2015.

Na quarta-feira, a Cruz Vermelha Internacional avançou que 50.000 pessoas fugiram ao agravamento dos conflitos no Norte, e que estão a necessitar urgentemente de mantimentos – comida e água.

Para elaborar este relatório, o SCPR realizou a sua pesquisa no terreno em toda a Síria. No documento, a organização procura utilizar um tom neutro, não criticando o governo sírio ou seus aliados e, por outro lado, e com exceção do Estado Islâmico, referindo-se apenas aos "grupos armados" que procuram derrubar o presidente Bashar al-Assad.

Apesar disso, as conclusões do relatório não deixam de ser chocantes. O SCPR descreve uma atmosfera de "coerção, medo e fanatismo", onde a chantagem, roubo e contrabando alimentam o conflito armado. A economia síria tornou-se "um buraco negro", absorvendo "recursos internos e externos". A produção de petróleo continua a ser um "importantes recursos financeiros" para o Estado Islâmico e outros grupos armados, avança a organização.

O SCPR destaca ainda o facto de, apesar de os sírios estarem a sofrer há cinco anos, a preocupação do resto do mundo pela sua dignidade e direitos humanos “só se intensificou quando a crise teve um impacto direto sobre as sociedades dos países desenvolvidos".

O conflito "continua a destruir o tecido social e económico do país com a intensificação das intervenções internacionais que aprofundam a polarização entre os sírios. O desenvolvimento humano, direitos e dignidade foram totalmente devastados".

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