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Síria: Campos de deslocados são locais de extrema insegurança

Nos últimos doze meses, 91 pessoas foram assassinadas pelo Estado Islâmico no campo de Al-Hol, entre as quais dois trabalhadores humanitários.
Campo de deslocados de Al-Hol, em 2019. Foto de arquivo de Ahmed Mardnlim, via EPA/Lusa.

Este domingo, foi registado mais um assassinato de um socorrista da organização humanitária Crescente Vermelho, no campo de Al-Hol, por parte do auto-denominado Estado Islâmico. A situação de segurança nos campos é considerada extremamente volátil.

No total, são já 91 mortos registados desde janeiro de 2021, na sua maioria refugiados iraquianos mas também dois trabalhadores humanitários.

O campo de Al-Hol, que abriga familiares de combatentes ‘jihadistas’, contabiliza cerca de 56.000 deslocados, metade dos quais com menos de 18 anos.

“A situação de segurança no campo é volátil e as células do [grupo ‘jihadista' autoproclamado Estado Islâmico] EI ainda estão presentes” em Al-Hol, disse o responsável da administração semiautónoma curda que controla o campo, Chaykhamous Ahmed, relata a Agência Lusa.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), o socorrista foi morto este fim-de-semana por dois membros do EI, que conseguiram entrar no centro médico com identidades falsas.

“As ameaças a organizações humanitárias e médicas estabelecem um precedente perigoso”, disse Chaykhamous Ahmed.

Dois responsáveis da ONU alertaram este domingo que as ajudas humanitárias ao campo só poderão ser entregues de forma eficaz quando “forem tomadas medidas para resolver os contínuos problemas de segurança”.

Por seu lado, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) sublinhou na sexta-feira a necessidade de encontrar soluções de longo prazo para “garantir a segurança dos moradores e trabalhadores humanitários”.

Apesar das repetidas exortações dos curdos, a maioria dos países ocidentais recusa-se a repatriar os seus cidadãos que estão no campo, limitando-se a repatriações a “conta-gotas” por medo de possíveis atos terroristas nos seus territórios. Os países dos quais os combatentes e prisioneiros do EI são nacionais também não responderam aos pedidos das autoridades curdas para criar um tribunal internacional para os julgar.

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