Sindicatos médicos explicam motivo de greve

07 de May 2018 - 10:19

Paralisação de 8 a 10 de maio é motivada pela necessidade de revisão das carreiras e respetivas grelhas salariais, limitação de horário semanal em serviço de urgência, gastos com empresas de trabalho temporário e recurso a médicos indiferenciados.

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Sindicatos médicos explicam motivo de greve
Foto de Paulete Matos.

No dia 8 de maio começará uma greve convocada por sindicatos de médicos e estes decidiram publicar uma nota onde explicam aos utentes do Serviço Nacional de Saúde os motivos que os levam a protestar. A greve foi convocada pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e irá decorrer entre 8 e 10 de maio.

Na mensagem enviada à empresa, os sindicatos sublinham que o governo gasta cerca de 120 milhões em serviços de empresas de trabalho temporário. “Um dos argumentos do Ministério da Saúde é que não há dinheiro para implementar as medidas propostas pelos sindicatos. No entanto, (…) gasta 120 milhões de euros com serviços de empresas de trabalho médico temporário, em vez de abrir concursos atempados para a contratação dos médicos especialistas necessários para o SNS”, afirmam na nota explicativa.

Entre os motivos para a paralisação estão a revisão das carreiras médicas e respetivas grelhas salariais, a redução do trabalho suplementar anual, o limite de 12 horas de trabalho semanal em serviço de urgência e o reajustamento das listas de utentes dos médicos de família. Além disso, os profissionais referem ainda a necessidade de descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos. 

Os sindicatos esclarecem, em nota enviada à agência Lusa, que esta greve foi convocada “face à degradação do Serviço Nacional de Saúde e das condições de trabalho dos médicos” e lembram que esta surge “após dois anos de tentativas de negociação com o Ministério da Saúde”, sem quaisquer resultados. “Para termos médicos qualificados nos serviços é preciso descongelar as carreiras. Só com mais médicos qualificados é possível formar médicos mais novos. Estes médicos mais novos precisam de ter acesso a vagas no internato médico, para não os deixar sem formação”, explicam.

Esclarecem ainda que a qualidade do SNS fica comprometida, uma vez que “os médicos sem formação são médicos indiferenciados e sem especialidade médica, o que compromete a qualidade do SNS”.

“Com a falta de médicos e de serviços, os doentes esperam horas sem fim para serem atendidos, são adiadas consultas e cirurgias, as maternidades funcionam próximas da rotura, assim como a maior parte dos serviços”, sublinham.